Aline Monteiro de Barros Bignardi, franqueada do Mercadão dos Óculos e Ocularium (Foto: Divulgação)

Aline Monteiro de Barros Bignardi, franqueada do Mercadão dos Óculos e Ocularium (Foto: Divulgação)

Atualmente, existem mais de 160 mil unidades franqueadas em todo o Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Muitas dessas empresas são gerenciadas por um só dono, os chamados multifranqueados

Antes, o perfil era mais comum apenas nos Estados Unidos, onde esses empreendedores chegam a faturar bilhões de dólares, receber aportes e ter redes maiores do que muitas marcas franqueadoras. No entanto, o movimento chegou com força aqui no Brasil nos últimos anos: um dado recente divulgado pela ABF mostra que mais de 74,5% das marcas já contam com multifranqueados – logo, não é algo tão raro.

As mulheres têm se destacado no comando de franquias, em diversos segmentos, de beleza a construção. Algumas redes já têm em seus quadros um percentual de franqueadas mulheres superior ao de homens. 

PEGN listou 12 empreendedoras franqueadas que comandam mais de uma undiade. Elas contam como se organizam para gerenciar a própria rede e como avaliam novos negócios para investir. Confira:

Para gerenciar 13 franquias, ela tem uma equipe separada para cada unidade

Ana Paula Braga, mulfiranqueada da Morana, Outer.Shoes e Intimissi (Foto: Divulgação)

Ana Paula Braga, mulfiranqueada da Morana, Outer.Shoes e Intimissimi (Foto: Divulgação)

A Ana Paula Braga tem 13 franquias no total. Dez são da rede Morana, duas da Outer Shoes e uma da Intimissimi. Ela conta que escolheu o sistema de franquias porque pareceu uma forma mais fácil de crescer em conjunto com uma marca reconhecida. “Pela oportunidade, na época, e por entender que seria interessante trabalhar em parceria com uma marca, poder focar no negócio e enquanto outras pessoas estão concentradas nas demais áreas, como produto e marketing.”

Cada loja tem uma equipe separada, de acordo com ela, para não misturar as contas, despesas ou receitas. Para escolher uma franquia para investir, além do que já é recomendado, ela considera o lado humano da gestão.

“Gostamos de conhecer as pessoas por trás do negócio, entender sua visão de franqueado e conhecer a fundo os números! Esses passos são essenciais para uma avaliação inicial.” A Morana tem 300 lojas e 60% delas são operadas por mulheres.

Engenheira civil abriu franquia, trouxe irmã e mãe para o negócio e hoje tem 8 unidades

Andrieli Maria Barcelos Padilha, multifranqueada da Hope, com a irmã Camila e a mãe Sirlene (Foto: Divulgação)

Andrieli Maria Barcelos Padilha, multifranqueada da Hope, com a irmã Camila e a mãe, Sirlene (Foto: Divulgação)

Andrieli Maria Barcelos Padilha é dona de sete franquias da Hope em cidades do Paraná e Santa Catarina e uma da Hope Resort, rede de moda praia da marca, em Foz do Iguaçu.

Ela é engenheira civil de formação e trabalhava com implantação de franquias em shopping centers. Como atuava havia muito tempo na prestação de serviços e dependia das pessoas para executar o trabalho, escolheu uma atividade que lhe desse mais autonomia: uma franquia. De acordo com ela, uma propaganda da Hope com a Gisele Bündchen chamou sua atenção para o negócio em 2010.

A irmã de Andrieli, Camila Barcelos, é sua sócia. Ela é responsável pelo marketing e compras das lojas. A mãe das duas, Silene Barcelos, atua na gestão de pessoas. Para gerenciar as lojas, ela realiza visitas mensais e mantém contato direto com gerentes via WhatsApp. Para este ano, pretende abrir mais duas lojas e depois seguir com duas inaugurações por ano.
A Hope tem mais de 200 unidades do país, e 58% são lideradas por mulheres.

Comprou primeira franquia de repasse, conseguiu resgatá-la da falência e hoje tem 7 unidades

Simone Rebelo, franqueada da Nutty Bavarian (Foto: Divulgação)

Simone Rebelo, franqueada da Nutty Bavarian (Foto: Divulgação)

Simone Rebelo tem sete lojas da Nutty Bavarian em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de operar negócios no ramo imobiliário. Ela vem da área de tecnologia da informação e sempre teve o desejo de ter um negócio próprio. “A decisão começou a ganhar forma no final de 2014. Vinha de uma fase de planejamento profissional e pelo menos três possibilidades eram plausíveis: recolocação profissional, consultoria ou empreender.” Ela foi a uma palestra de negócios que mencionou o case da Nutty Bavarian, e aquilo chamou sua atenção.

Simone procurou a área comercial da marca e, quando houve a possibilidade de um repasse de unidade, no Mooca Plaza Shopping, em São Paulo, ela aceitou a empreitada. “Não só encarei o desafio desta primeira unidade, mas pouco tempo depois já estava assinando o contrato com uma segunda unidade, desta vez no Rio de Janeiro. Não foi uma aventura, foi tudo analisado e planejado.”

Ela acompanha todos os dados das unidades em tempo real para tomar ações, caso seja necessário. A Nutty Bavarian tem atualmente 130 quiosques, e 73% são de franqueadas mulheres.

Demitida após licença-maternidade, ela resolveu empreender aos 40 e hoje tem 5 franquias

Ana Lucia de Freitas Mimura, multifranqueada da Emagrecentro (Foto: Divulgação)

Ana Lucia de Freitas Mimura, multifranqueada da Emagrecentro (Foto: Divulgação)

Ana Lucia de Freitas Mimura foi demitida ao voltar da licença-maternidade da segunda gravidez, aos 40 anos. Isso foi o estopim para que ela resolvesse procurar um negócio para empreender.

Ela comprou uma franquia da clínica de estética Emagrecentro e resolveu expandir o investimento, comprando mais unidades da mesma marca. “Hoje tenho três gerentes e um centro de treinamento, que fica na cidade de Indaiatuba (SP). Escolhi essa região por uma questão logística, pois de um lado ficam Campinas e Hortolândia e, do outro, Salto e Itu, onde as unidades estão localizadas.”

As cinco unidades de Ana Lucia faturaram, juntas, R$ 2,5 milhões em 2019. Ela, inclusive, já tem planos de abrir a sexta clínica, ainda em 2020. A Emagrecentro tem 170 unidades, sendo que 55% são comandadas por mulheres.

Depois de falir ótica, ela comprou franquia e hoje tem as 3 mais rentáveis de toda a rede 

Aline Monteiro de Barros Bignardi, franqueada do Mercadão dos Óculos e Ocularium (Foto: Divulgação)

Aline Monteiro de Barros Bignardi, franqueada do Mercadão dos Óculos e Ocularium (Foto: Divulgação)

Aline Monteiro de Barros Bignardi assumiu a gestão de uma das óticas da família em Bebedouro, interior de São Paulo, quanto tinha 20 anos. “Com as contas no vermelho, o negócio não decolou e, no auge do desgaste físico, emocional e financeiro, tomei a dura decisão de encerrar as atividades da ótica.”

Desanimada com o ramo, ela mudou de profissão e foi dar aulas de inglês. Atuou na área por dez anos e, durante esse período, tinha ideias constantes para voltar a empreender, mas faltavam coragem e motivação. “Ter de fechar a ótica da família, que por 22 anos atendeu a população local, ainda me incomodava.”

Em 2016, ela conheceu o Mercadão dos Óculos e se interessou pelo modelo do negócio. A chance de voltar ao mercado ótico no ápice da crise econômica a assustava, mas ela resolveu apostar.

A primeira unidade foi aberta em Florianópolis e, depois de um ano, Aline abriu a segunda. Atualmente, ela tem cinco franquias no estado de Santa Catarina, quatro do Mercadão dos Óculos e uma da Ocularium. “Juntas, faturam mais de R$ 9 milhões. Três das unidades representam o primeiro, segundo e terceiro maior faturamento de todo o Mercadão dos Óculos, que possui mais de 350 lojas”, afirma. A Mercadão dos Óculos tem mais de 300 franquias em operação, e 45% pertencem a mulheres.

Ela tem 5 franquias de lavanderia em Belém e foi a responsável pelo primeiro drive-thru da rede no Brasil

Leandra Bisi Priante, multifranqueada da 5àsec (Foto: Divulgação)

Leandra Bisi Priante, multifranqueada da 5àsec (Foto: Divulgação)

Leandra Bisi Priante tem cinco lojas da lavanderia 5àsec em Belém (PA). Antes de empreender, ela havia trabalhado por 13 anos na área comercial e na representação de marca de uma fabricante de calçados.

Quando pensou em abrir um negócio próprio, Leandra se interessou pelo mercado de franquias. Ela realizou estudos de mercado e julgou que uma lavanderia seria um bom negócio para Belém. Avaliou diversas marcas do setor e acabou optando pela 5àsec.

Leandra foi a responsável, inclusive, por sugerir e pilotar a primeira unidade drive-thru da marca no Brasil. “A comodidade e a praticidade de deixar suas roupas e buscá-las sem sair do carro agradou a grande maioria das pessoas. Especialmente em uma cidade amazônica que tem chuvas diárias.”

A gestão de todas as unidades é feita de forma centralizada. Ela montou um escritório na unidade matriz que concentra a administração, estratégia e gestão financeira das lojas. A rede administrada pela franqueada teve um aumento de 15% no faturamento em 2019, mas ela não revela os valores. Para os próximos 30 dias há a expectativa de abrir uma nova loja conceito no centro da cidade. A 5àsec tem 442 unidades, e 41% atualmente são comandadas por mulheres.

Ela começou ajudando o pai na franquia, hoje gerencia o negócio e é dona de 5 unidades

Anick Cunha, multifranqueada da A Fórmula (Foto: Divulgação)

Anick Cunha, multifranqueada da A Fórmula (Foto: Divulgação)

Anick Cunha tem cinco unidades da rede de farmácias de manipulação A Fórmula, em Salvador (BA). O pai dela, Carlos Andrade Cunha tinha uma franquia da mesma marca e acabou inspirando a filha a seguir os passos: ela comprou a própria franquia e ainda passou a administrar a do pai.

A empreendedora formou uma equipe para ajudá-la a gerir as cinco unidades que tem hoje, em cargos divididos em áreas técnicas, desenvolvimento, produção, controle e quantidade, comercial, entre outros. Em 2019, cada unidade faturou cerca de R$ 1,5 milhão. A Fórmula conta com 85 unidades espalhadas pelo país inteiro, e 60% das franqueadas são mulheres.

Ela conheceu a marca durante uma viagem de trabalho e hoje tem 5 franquias de depilação

Ana Karine Azevedo Diniz Arcoverde, multifranqueada da Depyl Action (Foto: Divulgação)

Ana Karine Azevedo Diniz Arcoverde, multifranqueada da Depyl Action (Foto: Divulgação)

A mãe da Ana Karine Azevedo Diniz Arcoverde tinha um salão de beleza, então ela frequentava o espaço desde pequena.  

Ao terminar a faculdade de Administração, ela trabalhou no Carrefour como gerente de departamento e precisou viajar para diversos estados para executar um programa de recrutamento de trainees. Foi nessa ocasião que ela conheceu a Depyl Action, em Manaus. 

“Me encantei com o serviço e enxerguei a grande oportunidade de montar meu próprio negócio na minha cidade e assim voltar para Natal.”

A gestão operacional das unidades é separada, mas ela unificou a gestão financeira, contábil, compras, recursos humanos e marketing no escritório central, dentro da primeira loja. Ela abriu a quinta unidade em dezembro de 2019 e já pensa em inaugurar novas franquias. A Depyl Action tem 117 unidades em operação, e 95% são comandadas por mulheres.

Ela tinha uma loja 20 anos atrás e a converteu em uma franquia. Hoje tem 4 unidades da marca

Valquiria Cunha, multifranqueada da Liz Lingerie (Foto: Divulgação)

Valquiria Cunha, multifranqueada da Liz Lingerie (Foto: Divulgação)

Valquiria Cunha tem quatro lojas da Liz Lingerie em São Paulo. Ela foi a primeira franqueada da rede: a empreendedora tinha uma loja multimarca desde 1992, na rua Augusta, chamada Micena Lingerie e resolveu fazer a conversão do ponto para Liz em 2012.

A razão para trocar um negócio próprio por franquia foi poder focar mais no dia a dia da loja. “A força da marca, suporte no PDV e marketing foram elementos que me atraíram. A gestão unificada foi outro importante fator. Isso nos dá mais tranquilidade para focar nas vendas.”

Para dar conta das lojas, ela tem uma equipe para a retaguarda, supervisores de loja, compradora e assistente administrativa, além de gerentes e consultoras de vendas. A Liz Lingerie tem 30 unidades, e 58% são operadas por mulheres.

Ela comprou uma escola falida e hoje tem 4 franquias na área de educação

Samara de Oliveira e Helena Teixeira com a apresentadora e franqueadora Ana Hickmann (Foto: Divulgação)

Samara de Oliveira e Helena Teixeira com a apresentadora e franqueadora Ana Hickmann (Foto: Divulgação)

Helena Teixeira é ex-bancária e nunca tinha trabalhado no ramo da educação. Em 2002, por indicação de um amigo, ela conheceu a rede de franquias Microlins, em São Paulo. “Na ocasião, tratava-se de uma unidade de 40m² praticamente falida, com atrasos nos pagamentos dos funcionários, conta de luz e telefone fora de funcionamento. Quem entraria nessa furada? Eu aceitei o desafio e comprei a franquia.”

Em seis meses ela já havia conseguido regularizar os salários e contas em atraso. Mudou para um espaço maior, de 280m². “A unidade foi um sucesso, o que me motivou investir em novas franquias. Ao longo dos anos, foram mais três da Microlins e uma do Instituto Ana Hickmann.”

Em 2005, Samara de Oliveira entrou como sócia da Helena. Ela começou a trabalhar em uma das unidades como assistente de rua e foi sendo promovida, até chegar à sociedade, em 2012.

Para este ano, Helena e Samara preveem abrir mais duas franquias da Microlins, totalizando seis unidades. “Atualmente as quatro escolas em operação faturam mais de R$ 3,5 milhões juntas e contam com mais de 2.300 alunos ativos”, afirma Helena. O Instituto Ana Hickmann tem 9 franquias em operação – todas lideradas por mulheres.

Depois de engravidar e se dedicar aos filhos, comprou 4 franquias de uma vez

Elaine Yin, multifranqueada da Mr. Cheney, Morana, Casa do Pão de Queijo e The Body Shop (Foto: Divulgação)

Elaine Yin, multifranqueada da Mr. Cheney, Morana, Casa do Pão de Queijo e The Body Shop (Foto: Divulgação)

Elaine Yin tem quatro franquias diferentes: Mr. Cheney, Morana, Casa do Pão de Queijo e The Body Shop. Antes de ser empreendedora, ela foi bancária por dez anos. Depois desse período, morou fora do país, engravidou, retornou ao Brasil e se dedicou inteiramente à maternidade por cinco anos. Depois disso, investiu nas quatro marcas de uma vez só.

“Quando resolvi investir no meu próprio negócio, procurei por marcas com que eu tivesse afinidade. Depois procurei por marcas que fossem fortes no mercado e importantes para o shopping center em que eu gostaria de estar.”

Mãe de três filhos e sem nenhum sócio, Elaine conta que separou a gestão das marcas em duas equipes para dar conta de tudo, sem se sobrecarregar ou misturar as operações. 

Ela tem 3 franquias de equipamentos de construção em Pernambuco

Renata Lapa Chang, multifranqueada da Casa do Construtor (Foto: Divulgação)

Renata Lapa Chang, multifranqueada da Casa do Construtor (Foto: Divulgação)

Renata Lapa Chang é formada em marketing e atuava na área comercial de outra empresa antes de abrir a primeira franquia de aluguel de equipamentos para construção Casa do Construtor, em Pernambuco. Hoje ela tem três unidades.

“A gestão é feita de forma única. Faço a parte comercial, atendimento a clientes e cobrança. Já meu sócio fica com a área administrativa, de compras e manutenção. Além disso, meu marido nos auxilia no planejamento e na estratégia.” Ela faturou cerca de R$ 3 milhões em 2019 com as três lojas. 

Renata não pretende investir em novas franquias por enquanto e diz estar focada em aumentar o alcance das lojas que já tem na capital do estado, Recife. A Casa do Construtor tem 280 unidades e há 38 mulheres envolvidas na operação de 51 franquias – 18% do total.

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