Marcio Pitliuk é diretor no Brasil do Yad Vashem, o mais importante centro de pesquisas e ensino do Holocausto (Foto: Divulgação)

O escritor e cineasta Marcio Pitliuk, um dos maiores especialistas brasileiros no Holocausto e morador da cidade de Itu há quase três anos, recentemente lançou o livro “A Alpinista: Sexo e Corrupção na Alemanha Nazista”. A obra, publicada pela Editora Vestígio (do Grupo Autêntica), pode ser encontrada na Amazon e nas principais livrarias do Brasil, como na Livraria Atlântica do Plaza Shopping Itu.

A nova obra do autor – que desde 2008 se dedica a divulgar o que é considerado o maior crime da Humanidade – é descrita como um “romance empolgante sobre a ascensão social ambientado na Alemanha Nazista”. Na trama, a jovem Hannelore Schultz, dona de beleza e poder de sedução incomparáveis, lança mão desses atributos para, degrau por degrau, alcançar uma vida de luxo.

Impelida por uma ambição sem limites, Hannelore irá descartar os homens em sua vida tão logo as possibilidades daquele “degrau” sejam esgotadas, sem qualquer traço de remorso e, às vezes, por meio de tramas maquiavélicas. Sua longa e perigosa escalada a leva do pequeno vilarejo alemão em que nasceu para a capital, onde se vê finalmente envolvida com altos oficiais do Terceiro Reich.

A Segunda Guerra, Berlim e os campos de extermínio nazistas na Polônia são alguns dos cenários do romance escrito por Pitliuk que, cheio de reviravoltas, conduz o leitor pelos caminhos da política imperialista e genocida de Adolf Hitler até sua queda e a consequente responsabilização dos causadores dos horrores do nazismo.

“Eu tinha planos de escrever um livro sobre a participação das mulheres no nazismo. Esse é um assunto pouco comentado, apesar delas terem atuado de maneira ativa ou como cúmplices. Muitas trabalharam em campos de concentração. Há relatos de sobreviventes que sofreram crueldades e maldades indescritíveis por parte dessas mulheres. Poucas foram julgadas e muito poucas condenadas”, conta o escritor, que é membro da ACADIL (Academia Ituana de Letras), ao JP.

Segundo Pitliuk, de maneira conivente, passiva, muitas mulheres também se beneficiaram, se aproveitaram dos bens roubados dos prisioneiros como casas, joias, casacos de peles e brinquedos de crianças. Elas não questionavam de onde isso vinha ou fechavam os olhos para a verdade.

“Procurava um gancho para o livro quando me veio a ideia de criar uma alpinista social que viveu na Alemanha durante esse período. Ela se aproveita da guerra para subir na vida, conquistar homens ricos e sempre dar um golpe em cima do outro. Como todas as alpinistas sociais, ela usa da sua beleza  e sensualidade para conquistar os homens. E sem nenhum escrúpulo. Criei então a personagem que caracteriza essas mulheres”, prossegue ele.

Para Pitliuk, é possível traçar paralelos entre sua obra e o mundo atual. “Quando a [Operação] Lava Jato aconteceu, e mesmo os outros casos de corrupção escandalosos recentes, as esposas diziam que não sabiam de nada. Ou seja, do dia para a noite o marido fica milionário, o dinheiro entra como água, e ninguém se pergunta de onde vem essa fortuna imensa. Durante a II Guerra Mundial, a Alemanha jogou a moral e a ética no lixo. Na história recente do Brasil vimos a mesma coisa acontecer. Empresários e políticos só pensavam no dinheiro rápido e fácil”, conta.

O autor descreve Hannelore, a personagem principal, como uma mulher linda, sensual, que usa suas qualidades físicas para subir na vida, sem medir esforços e sem escrúpulos. “Ela mata, se for preciso. Ela é ruim sim, é uma psicopata que não se incomoda em prejudicar os outros. Não é fruto de uma sociedade degradada, mas é claro que esse ambiente favorece pessoas assim. Sem lei e sem ética, os maus tem mais espaço para crescer”, explica Pitliuk.

Vida em Itu e livro futuro

Há quase três anos Marcio Pitliuk mudou-se para Itu. E cada dia ele está mais habituado com a cidade. “Antes da pandemia eu já sabia que tinha tomado a decisão certa. Com o Covid-19 essa certeza ficou mais forte ainda. Aqui tem mais espaços abertos e menos multidões que a cidade de São Paulo. Sinto-me mais seguro e protegido”, conta ele, que faz questão de enaltecer Itu em seus textos e também nas redes sociais.

Na tranquilidade de Itu, ele já prepara seu novo livro. “No meu primeiro romance, ‘O homem que venceu Hitler’, eu trato das pessoas que ajudaram a salvar os judeus dos nazistas. Arriscaram suas vidas para salvar uma pessoa desconhecida. Em ‘A Alpinista’ trato da participação das mulheres no Holocausto. No que estou escrevendo e pretendo lançar em breve, falo da participação das empresas, empresários e universitários no Holocausto. Quem praticou esse crime não foi o soldado que organizava as filas nas câmaras de gás, mas toda a sociedade civil alemã”.

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