O renomado ator, roteirista e cineasta saltense completaria o centenário nesta terça-feira (21)

O grande artista saltense Anselmo Duarte, se vivo, completaria 100 anos, neste 21 de abril. O ator, roteirista e cineasta renomado é o único brasileiro ganhador do prêmio Palma de Ouro, do Festival de Cannes, pela produção do filme “O Pagador de Promessas”, de 1962.
Anselmo Duarte Bento nasceu em 21 de abril de 1920, era o mais novo de sete irmãos e cresceu com a presença da mãe, mas sem a figura paterna. Aos 8 anos, começou a trabalhar como engraxate para ajudar a família e aos 10 anos, se tornou “molhador” de tela no antigo Cine Pavilhão, ofício que lhe dava a oportunidade de assistir aos filmes gratuitamente.
Aos 14 anos se mudou para São Paulo, onde exerceu os ofícios de datilógrafo, contabilista e dançarino. Mudou-se para o Rio de Janeiro e nesta cidade, passou a atuar como figurante em filmes, na redação e como repórter de revista.
Aos 21 anos de idade, fez o primeiro trabalho em filme inacabado “It’s All True” de Orson Welles, após a estreia atuou em mais de 40 produções, como Tico-Tico no Fubá, Sinhá Moça. Nas décadas de 1940 e 1950 foi considerado o maior galã do cinema brasileiro e participou de produções dos estúdios Cinédia, Atlântida e Vera Cruz.
A sua obra se converge junto à história do cinema brasileiro. Durante a sua carreira, Anselmo trabalhou com grandes nomes do teatro e cinema brasileiro como Nicete Bruno, Tônia Carrero, Glória Menezes, Norma Bengell, Dionísio Azevedo, Othon Bastos, entre outros.
Anselmo era um contador de histórias. Como diretor, consagrou-se já em seu primeiro filme, Absolutamente Certo, de 1957, que destoava das produções da época. Mas foi em “O Pagador de Promessas”, que foi reconhecido no mundo das artes.
O filme dirigido por Anselmo Duarte, ganhou a Palma de Ouro e o Prêmio Especial do Júri, no Festival de Cannes de 1962, um dos mais importantes prêmios cinematográficos do mundo.
Este é até hoje o único filme brasileiro a conquistar a Palma de Ouro do Festival de Cannes, na França.
O filme concorreu ao Oscar de Melhor Filme estrangeiro, em 1963; e foi premiado em diversos outros prêmios. Em novembro de 2015 o filme entrou na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

Celebração do centenário
Neste centenário, a Prefeitura de Salto, por meio da Secretaria da Cultura, havia preparado uma grande programação que celebraria os 100 anos, deste que é um dos mais ilustres saltenses. O Dia de Anselmo Duarte seria dedicado a sua vida, obra, história e memória, como uma forma de resgatar a sua trajetória às novas gerações e influência tão presente no cinema nacional.
Dentre as atrações um festival de filmes, palestras, fotografias e entrevistas contando a vida e obra de Anselmo Duarte. Uma exposição em parceria com o MIS – Museu de Imagem e Som estava sendo preparada em alto estilo, com materiais inéditos do artista. A administração havia preparado também uma nova estátua em homenagem ao artista que faria parte de todo o cenário de uma Feira Cultural, como forma de interação com o público, no entorno do Centro de Educação e Cultura de Salto, que leva o seu nome. Espetáculos de teatro e dança também fariam parte da festa.
Mediante a toda à situação de emergência decorrida da pandemia do coronavírus, o evento que já estava programado, precisou ser cancelado. No entanto, como forma de não deixar uma data tão significativa sem celebração, a Secretaria da Cultura deve lançar nos próximos dias, uma exposição virtual através do Museu da Cidade de Salto, com um grande acervo de fotografias, sonoras, entrevistas e vídeos arquivados como parte de um resgate histórico e cultural do município e que poderá ser conferida na hemeroteca, em breve.
Na cidade de Salto, Anselmo Duarte foi reconhecido pelo seu talento e dedicação a cultura. Como forma de homenageá-lo, o Centro de Educação e Cultura (CEC) inaugurado em 31 de julho de 2009, ganhou seu nome, assim como a Sala Palma de Ouro, homenagem ao maior prêmio do cinema recebido pelo artista e pelo Brasil, onde grandes espetáculos são realizados, potencializando a cidade como “Salto – Celeiro de artistas”.
Como o próprio artista disse em seu discurso durante a entrega do CEC: “Ao nominar esta sala de espetáculos com “Palma de Ouro”, Geraldo Garcia, lá em sua mais genuína inspiração, sedimenta um recado aos seus concidadãos: “Honrar as nossas raízes culturais substancia a matéria-prima necessária para o inevitável avanço da evolução progressista e a solidez continuada das realizações das nossas gerações futuras”.
“Foi uma honra tê-lo presente na inauguração do nosso teatro, que levou o seu nome e também do maior prêmio da sétima arte do mundo, a Palma de Ouro. Vale destacar que há uma réplica do prêmio original recebido pelo diretor em Cannes, no foyer do teatro e pode ser apreciado por todos. Hoje, este espaço é o grande tempo da cultura da nossa cidade e recebe grandes nomes do teatro, artistas no início da carreira, espetáculos de dança”, destaca orgulhoso, o Prefeito Geraldo Garcia.
Como forma de homenageá-lo neste dia especial, a Secretaria da Cultura reuniu os artistas da cidade para interpretar um de seus poemas, que fez parte do discurso na inauguração do Centro de Educação e Cultura. O vídeo será publicado nesta terça-feira (21) nas redes sociais da Prefeitura.

Fotos: Acervo – Museu da Cidade de Salto “Ettore Liberalesso”

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