Médico infectologista Marcos Caseiro faz alerta sobre pior fase da pandemia na Baixada Santista — Foto: Danilo Santos/G1

Ainda não chegamos no pico. Os dados epidemiológicos apontam que, na verdade, vamos entrar no pico de casos entre o fim de março e o começo de abril“, alerta o médico infectologista Marcos Caseiro, que atua no Hospital Guilherme Álvaro, sobre o cenário do pior momento da pandemia nas cidades da Baixada Santista, região de São Paulo.Em um mês, o número de pacientes internados em hospitais aumentou em 217%, com o salto de 250 para 793 pessoas internadas. A região segue com medidas ainda mais restritivas até 4 de abril.

Em entrevista ao G1 nesta terça-feira (23), o especialista afirmou que os altos índices de internações são consequência de contaminações de uma a duas semanas atrás. “As pessoas se infectam, têm o período de encubação [do vírus] de cinco a sete dias, em média, e complicam no sétimo dia”, disse.

Devido à alta expressiva das taxas de ocupação de leitos de enfermaria e UTI para pacientes com Covid-19 na região, os prefeitos decidiram impor novas regras, ainda mais rígidas, para todos os setores de trabalho. Até 4 de abril, até mesmo os serviços essenciais terão restrições de horário para funcionar, além de toque de recolher e alterações no transporte público.

Segundo ele, o reflexo das medidas restritivas adotadas pelas cidades da região, que foram chamadas de lockdown pelo Conselho de Desenvolvimento Metropolitano da Baixada Santista (Condesb), só será sentido a partir da segunda semana de abril. “Não veremos grandes diferenças [neste momento]”, disse. “Precisamos diminuir o número de pessoas necessitando de leito hospitalar. Nesse momento, não tem leitos“.

“Fazer isolamento e distanciamento social é um procedimento clássico da infectologia. Fazemos isso há centenas de anos. Você tem algumas maneiras de prevenir uma doença respiratória: vacina, medicamento efetivo ou distanciamento social”, explica o infectologista.

“As pessoas têm que entender que, apesar de duro para todo mundo, a única medida que nós temos para impedir o transbordamento e o caos no sistema de saúde é o distanciamento social”, afirma Caseiro.

Alta expressiva de internações

Boletins epidemiológicos das prefeituras da região mostram que, das nove cidades da Baixada Santista, cinco estão com taxa de ocupação máxima em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para Covid-19. Além de Guarujá, Praia Grande, Cubatão, Itanhaém e Peruíbe, que não contam com leitos vagos, Mongaguá não possui leitos de UTI no município.

Em um mês, o número de pessoas internadas nos hospitais da região saltou 217%, passando de 250 em 22 de fevereiro para 793 pessoas internadas nesta segunda-feira (22).

Número de internações em leitos Covid-19 na Baixada Santista
Internações em leitos de enfermaria e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI)
Fonte: Boletins epidemiológicos das cidades da Baixada Santista

Santos, a maior cidade da região, é também a que conta com o maior número de leitos disponíveis. O município recebe pacientes de outras cidades, que não possuem leitos especializados para a doença ou que já apresentam altos índices de lotação.

Segundo os dados desta segunda-feira (23), houve aumento no número de pessoas internadas na rede de saúde do município em 6,4% nas últimas 24 horas (veja dados no gráfico abaixo). São 594 pessoas internadas, sendo 313 moradores de outras cidades.

Deste total de internados, 292 estão em leitos de UTI, voltados para os casos mais graves. A taxa geral de ocupação dos leitos Covid-19 disponíveis está em 77%. Entre os 360 leitos de UTI, a ocupação é de 81%.

Número de internações em leitos Covid-19 em Santos, SP
Cidade recebe pacientes de outros municípios
Fonte: Prefeitura de Santos

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