O governo de São Paulo divulgou na segunda-feira (22) a atualização dos dados sobre o total de testes feitos no estado. No último sábado (20), o UOL publicou que, desde o fim de janeiro, não havia novas informações sobre a testagem.

O painel, disponível para consulta no portal Seade, traz agora os dados completos de testagem em janeiro e parte dos números de fevereiro e março. Desde o início da pandemia, em março de 2020, São Paulo acumula mais de 12 milhões de testes, entre RT-PCR, rápidos e outros.

Atualmente, janeiro é o mês com maior número de testes feitos. Foram 1.534.598 exames realizados nos laboratórios públicos e privados. Até então, esse recorde havia sido em julho, no ápice da primeira onda, com 1.460.247 exames.

Os testes acompanharam o salto na média móvel de casos no estado, com mais de 10 mil infectados a cada dia.

  • Fim de dezembro – média de casos entre 5.000 e 7.000
  • 8 de janeiro – média de casos de quase 9.000
  • 9 de janeiro – média de casos de mais de 10 mil.

Os meses de fevereiro e março —ainda que este último não tenha terminado— já têm números de casos e mortes piores do que o primeiro mês do ano. Hoje a média de casos está acima de 15 mil e, pela primeira vez, o estado registrou mais de mil mortes num mesmo dia.

Os dados sobre testes de ambos os meses não estão completos. Por enquanto, fevereiro tem pouco mais de 966 mil exames publicados no site, enquanto março registra 361 mil testes divulgados.

Janeiro tem menor taxa de teste por casos

Porém, mais importante do que observar o número total de testes feitos no mês, é acompanhar a taxa de testes por infectados, como explica o professor Domingos Alves, líder do Laboratório de Inteligência em Saúde da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

A partir dessa taxa, é possível notar se o aumento na quantidade de exames tem sido suficiente para rastrear todas as pessoas contaminadas. Para cada pessoa contaminada, o ideal é que se teste no mínimo outras dez pessoas, a fim de encontrar os contactantes e parar a cadeia de contaminação.

Em janeiro, foram feitos apenas 4,9 testes para cada caso positivo no estado. É a menor taxa desde o início da pandemia —desconsiderando os meses de fevereiro e março já que ainda não fecharam os dados.

O estado de São Paulo, que é um dos que mais testam no Brasil, está bem abaixo da média preconizada pela OMS [Organização Mundial da Saúde], que é de 10 a 30 testes para cada caso.
Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto

Os dois meses em que São Paulo apresentou maiores taxas de testes/caso foram outubro e novembro, com 7,6 e 9,6 respectivamente. Nesses meses, foram registrados os menores índices de casos após a primeira onda e menor foi a proporção em comparação com os casos notificados da doença. Essa discrepância indica, segundo o professor, que apenas os casos graves e poucos casos leves foram testados.

“Se você acompanhar o gráfico de casos novos por dia, você vê que o comportamento da curva da média móvel bate um pouco com a dos testes. Porque, se você faz menos testes, você tem menos casos”, diz o professor.

A taxa atual de São Paulo é menor do que a de países muito menos populosos, como a ilha de Madagascar, Jordânia, Moçambique e outros, segundo o site Our World in Data.

Mesmo quando o estado registrou a sua maior taxa, países como Costa Rica, Bangladesh e Sudão do Sul já a superavam.

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