A Diocese de Jundiaí conta com três “Servos de Deus”, são fieis que estão em passos iniciais da beatificação. Conheça as histórias

Dom Gabriel Paulino Bueno Couto

O Servo de Deus Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, carmelita, nasceu em 22 de junho de 1910, em Itu, São Paulo. Ainda adolescente, ingressou no Seminário de Bom Jesus de Pirapora e, posteriormente, seguiu para o Convento dos Padres Carmelitas, em Itu, onde, em 1927, recebeu o hábito carmelita e realizou seu noviciado. Sua profissão religiosa foi realizada em 30 de dezembro de 1928. Realizou seu curso de

Teologia no Colégio Internacional Santo Alberto, em Roma, frequentando a Pontifícia Universidade Gregoriana. Emitiu seus votos perpétuos em 1931, e foi ordenado presbítero no dia 9 de julho de 1933, em Roma, onde permaneceu por 17 anos.

Foi sagrado bispo, aos 36 anos no dia 15 de dezembro de 1956, e exerceu seu ministério episcopal, na qualidade de Bispo Auxiliar, nas seguintes Dioceses: Jaboticabal (1946-1954), Curitiba (1954-1955), Taubaté (1955-1965) e São Paulo (1965-1966). Nessa condição, Dom Gabriel esteve presente em todas as sessões do Concílio Vaticano II (1962-1965).

No dia 21 de novembro de 1966, foi nomeado pelo Papa Paulo VI como primeiro Bispo Diocesano de Jundiaí – SP, onde permaneceu até sua morte, em 11 de março de 1982. De 1968 a 1971, foi também Administrador Apostólico da Diocese de Bragança Paulista.

Em 1972, foi um dos signatários do documento Testemunho de Paz: declaração conjunta do episcopado paulista. Essa declaração foi a primeira manifestação do episcopado brasileiro sobre as prisões e torturas cometidas pelo governo militar no Brasil. No funeral de Dom Gabriel, testemunhou o Cardeal Arns, Arcebispo de São Paulo: “Lembranças que vamos guardar de Dom Gabriel: um homem que reza e faz da sua vida uma oração… Parece que toda a sua vida se transformou numa oração, como o sol que passa por tudo para renovar a existência de cada qual que entrasse em contato com ele”.

Seu lema episcopal é inspirado no salmo 115,16 – FILIVS ANCILLAE TVAE (“Sou filho de tua Serva! ”), expressando a disposição de servir a Deus, na sua Igreja, com a humildade de um filho de Nossa Senhora. Homem de ardor missionário, cunhou a máxima: “Dar Cristo a quem não O tem e consciência de Cristo a quem já O possui! ”.

Seu ministério episcopal foi marcado pelo sofrimento devido ao tratamento de tuberculose pulmonar. Frade e pastor exemplar, foi reconhecido como um homem que colocou Cristo no centro de sua vida.

Sua última mensagem escrita foi: “Jesus é tudo para o padre!”. Seu túmulo está na cripta da Catedral Nossa Senhora do Desterro, na cidade de Jundiaí.

Padre Bento Pacheco

O Servo de Deus Padre Bento Dias Pacheco nasceu em 17 de setembro de 1819, na Fazenda da Ponte, comarca de Itu, São Paulo. Filho de Inácio Dias Ferraz e de Ana Antônia Camargo, provinha de família abastada na região.

Por conta da abundância de recursos financeiros, a família incentivava-o aos estudos, objetivando que se tornasse doutor. Bento Dias Pacheco, entretanto, optou pelo sacerdócio, ordenando-se padre em 1840. Iniciou seu ministério na própria comarca ituana, mas pouco permaneceu em atividades paroquiais, na medida em que, em razão do falecimento de seu pai, passou a auxiliar na condução da fazenda familiar, que ficara sob os cuidados de sua mãe. Ainda assim, Padre Bento começou a se notabilizar na região em face dos cuidados que dispensava aos seus escravos. Situação que lhe robusteceu o sentimento de amor cristão ao próximo.

A sua maneira de tratar os escravos da região despertou a atenção das

autoridades da comarca, que lhe convidaram, por duas vezes, para assumir o cargo de capelão do Hospital dos Lázaros. Padre Bento recusou a distinção, por conta do medo e do preconceito que existia à época em relação aos portadores da lepra, hoje conhecida como hanseníase.

Contudo, em 1869, Padre Bento decidiu se dedicar integralmente aos leprosos, operando uma transformação profunda em sua vida. Vendeu todos os seus bens e distribuiu o dinheiro obtido aos pobres da região. Despediu-se de parentes e amigos, e passou a morar na Chácara da Piedade, em Itu, local em que eram segregados os leprosos, vítimas tanto da gravidade da moléstia quanto do radical preconceito e repulsa da sociedade.

Por 42 anos Padre Bento dedicou-se a cuidar desses doentes, dia e noite, amparando-os material e espiritualmente, sem que desenvolvesse a terrível moléstia.

Segundo o historiador Francisco Nardy Filho, durante esses anos, “aqueles pobres párias tiveram nele o pai, o amigo, o médico que cuidava de suas feridas, o Cireneu que os ajudava a carregar a pesada cruz de sua temida doença. Indiferente ao cansaço, ao perigo de contágio, procurava acender, em cada coração sofredor, a lâmpada da esperança num mundo melhor, sem as vicissitudes deste vale de lágrimas”.

O trabalho incessante de Padre Bento em prol desses necessitados perdurou, sem interrupções, até o seu falecimento, em 6 de março de 1911. Respeitando sua vontade, foi enterrado na mesma chácara em que viveu junto aos doentes que tanto amou em vida. Hoje seu túmulo encontra-se no interior da igreja matriz da Paróquia Senhor do Horto e São Lázaro, no bairro que leva o seu nome.

A fama de seu trabalho realizado em prol da caridade espalhou-se, sendo que seu túmulo passou a ser visitado por inúmeros fiéis, que lhe reconheciam graças e favores alcançados em seu nome.

Padre Bento, em sua vida, resumiu admiravelmente o grande mandamento do

amor: amou a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus. No pobre, doente, chagado, desfigurado, desprezado, sentiu resplandecer a Face de Cristo, sinal seguro de ressurreição e de vida eterna.

Maria de Lourdes Guarda

A Serva de Deus Maria de Lourdes Guarda nasceu em 22 de novembro de 1926, em Salto, SP. Filha de Innocêncio Guarda e Julia Froner Guarda, realizou seus estudos, como interna, no Colégio do Patrocínio, em Itu, pertencente às Irmãs de São José de Chambéry. Com 18 anos, já lecionava no Colégio da Congregação das Filhas de São José do Caburlotto, em Salto, e sonhava seguir os passos de sua irmã na vida religiosa. Porém, antes era preciso tratar de um problema de saúde em sua coluna, lesão que lhe causava muitas dores. Em 12 de agosto de 1947, passou pela primeira cirurgia na coluna, que não eliminou suas dores, precisando submeter-se a novas cirurgias. Em cinco anos realizou seis intervenções que se configuraram como tentativas frustradas para fazê-la andar. Já com o pé direito gangrenando e outras complicações na coluna, teve sua perna amputada acima do joelho. Os ossos dos quadris foram extraídos o que provocou a atrofia e a imobilidade total da perna esquerda. Foi preciso construir uma armação de madeira como proteção para não paralisar a circulação sanguínea. Ainda jovem, cheia de vida, com planos para o futuro, Maria de Lourdes viu-se totalmente imobilizada em uma cama, sem ao menos poder sentar-se, uma vez que foi necessário engessá-la com uma canaleta nas costas, do pescoço ao joelho.

Em agosto de 1972, no Hospital Matarazzo, em São Paulo, comemora seus 25 anos de internação, porém, mesmo imobilizada, não deixou de fazer tricô e bordados sob encomenda para pagar as diárias hospitalares. Seu quarto era um ponto de encontro e de atração, reunindo não só amigos, mas pessoas de todas as classes sociais que buscavam consolo e ajuda para as suas carências. Sua alegria e paz de espírito irradiavam a cada dia para além das paredes do quarto. Aceitando e assumindo a sua realidade de paraplégica, abre espaço para acolher a graça de Deus. Seus amigos recordam que seu rosto era sadio, corado, e seus olhos azuis brilhantes, e que dizia: “nenhuma deficiência é impedimento para a vida”. Concretizou na sua história quanto São Paulo experimentou: “Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que minha força manifesta todo o seu poder” (2Cor 12,9). Engajada na Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência (FDC), movimento internacional, fundado na França em 1981, foi eleita Coordenadora Nacional do movimento, permanecendo até 1992. Viajou pelo Brasil e América Latina graças a doações de passagens de uma empresa aérea, formando, em território nacional, mais de 250 grupos da Fraternidade. Faleceu em 05 de maio de 1996, em Salto, e, em 30 de setembro de 2011, seus restos mortais, já considerada Serva de Deus, foram transladados para o altar da Sagrada Família, na igreja matriz da Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrat, em Salto. 

Fonte: Site da Diocesse de Jundiaí

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