Candidato à Presidência da Câmara, Baleia Rossi (MDB-SP) afirmou hoje que o adversário Arthur Lira (PP-AL) está de “salto alto”, em referência a um suposto sentimento de favoritismo por parte do bloco representado pelo líder do centrão e apoiado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Segundo Baleia, se a rede de apoiadores de Lira tivesse real “convicção” da vitória no pleito marcado para a próxima segunda-feira, o presidente da República não estaria, na versão dele, buscando atrair votos com uma “promessa” de recriação de ministérios.

“O que a gente vê é o nosso adversário e o seu entorno de salto alto. Se eles tivessem a mínima convicção que teriam uma vitória assegurada, eles não teriam disponibilizado por parte de governo, inclusive a promessa de recriar quatro ministérios, R$ 3 bilhões em emendas.”

O favoritismo de Lira no embate tem sido levantado por seus apoiadores na última semana. Alguns dizem que o alagoano poderia até mesmo vencer no primeiro turno. Já articuladores de Baleia acreditam em um desfecho no segundo turno, mas evitam projeções.

“Fizemos análises muito claras, conversando com os parlamentares, essa é uma eleição que não está definida. Dia de fevereiro, com o trabalho de todos e empenho de todos, a Câmara não vai se ajoelhar ao Palácio do Planalto e não vai se diminuir”, disse hoje o líder do MDB.

As declarações ocorreram nesta manhã depois de um encontro entre Baleia e lideranças do Cidadania, da Rede, do PSB, entre outros opositores de Bolsonaro no Parlamento. Na agenda, ele recebeu um ofício por meio do qual, se eleito, compromete-se a levar adiante o debate no Parlamento sobre a manutenção do auxílio emergencial.

O emedebista criticou o esforço de Bolsonaro na tentativa de impulsionar a candidatura de Lira e elegê-lo presidente da Câmara. O deputado tem repetido sistematicamente considerar que o chefe do governo federal tenta “interferir” em outro poder, o Legislativo.

“Você imagina, no meio de uma pandemia, em que falta recurso para comprar vacina, você vai disponibilizar [recursos] para que um candidato ganhe ou gente ganhar, porque não vai ganhar, a eleição.”

Bolsonaro recua

Depois de da repercussão em relação ao seu comentário ontem, indicando que poderia recriar ministérios, Bolsonaro recuou e disse hoje que estava apenas fazendo um elogio à competência dos secretários da Pesca, Esporte e Cultura.

“Não tem recriação do ministério. Eu escolhi os três secretários, que fazem um brilhante trabalho. O elogio que dei pra eles no trabalho que eles fazem eles mereciam ser ministros. Não é criar ministérios como deram a entender para negociar com quer que seja. Não é fácil criar ministério. É burocracia, um pouco mais de despesa. Não está previsto”, disse.

Traições

Baleia também disse encarar com “tranquilidade” a possibilidade de traições na próxima segunda. Na visão dele, os parlamentares que fazem parte do seu bloco mas que declaram apoio no adversário são “barulhentos”.

“Com muita tranquilidade. Os deputados que estão na nossa frente e que acabam declarando votos para o adversário são barulhentos. Até porque precisam mostrar para o governo que estão declarando apoio para o nosso adversário. Aqueles que questão no bloco do meu adversário e que preferem uma Câmara independente, que tem zelo pela democracia, eles estão quietos porque temem perseguição pelo governo.”

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