Ano novo é tempo de desafios e conquistas novas. Para muitos, uma oportunidade no mercado de trabalho. E os dados confirmam que essa é a época ideal para quem busca emprego. De acordo com o CAGED, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Brasil gerou 324.112 empregos com carteira assinada em novembro deste ano. Ao todo, o país registrou 1.772.766 contratações e 1.448.654 demissões. Mas quem ainda busca uma vaga, ou então quem foi recentemente dispensado, o que deve fazer para aproveitar o bom momento?

Advogado trabalhista, Vilson Moraes explica que antes de alguém procurar uma oportunidade, é necessário que o trabalhador tenha atenção com as novas ferramentas de trabalho e como elas se incluem nas mudanças das relações trabalhistas. Ele cita como exemplo dessas análises o emprego em formato exclusivamente virtual feito de casa (home-office) ou o híbrido.

“O trabalhador deveria fazer um estudo prévio na empresa em que pretende trabalhar. Uma vez contratado, a previsão para devolver a carteira de trabalho é de 48 horas. É importante verificar se a empresa fez o contrato de experiência e carimbou esse contrato. Um cuidado fundamental que deve ter na hora da contratação”, explica.

Moraes comenta que o aumento do home office e das contratações a distância em função da pandemia foram considerados pontos positivos. Mas chama a atenção para o aspecto ruim causado pelo impacto financeiro da covid-19, como a suspensão de contratos e redução de jornada.

“O teletrabalho veio para ficar, assim como jornadas hibridas, em casa e no local de trabalho. O trabalhador precisa ficar atento porque, nesses casos, os contratos são diferenciados. É fundamental que haja um contrato individual falando sobre a forma de trabalho e um termo de responsabilidade assinado pelo empregado. Se houver ajuda de custos, essa remuneração deve constar no contrato. Dessa forma, empregador e empregados se resguardam”, conclui.

Advogado trabalhista, Vilson Moraes explica quais cuidados o postulante a um trabalho deve ter antes de procurar emprego. Foto: Divulgação

Se o advogado trabalhista deu o recado, então o que deve ser feito a partir disso? a palestrante e consultora Camila Honorati afirma que é preciso ter autoconfiança para saber o que a pessoa que procura emprego quer e quais são as decisões certas para a evolução da carreira.

A trajetória de um profissional, segundo Camila, é formada por ciclos que remetem a novas oportunidades de desenvolvimento.

“Não existe um período determinado para cada ciclo. Cada um deles pode durar 2, 5 ou 10 anos ou até a pessoa se aposentar. Isso irá depender de cada indivíduo e do quanto aquele projeto ainda gera motivação e sentido”, explica a profissional que é pós-graduada em Gestão Empresarial e em Psicologia Organizacional e Gestão de Pessoas e especialista em Perfis Comportamentais e Competências Comportamentais

Mas como saber se um ciclo se encerrou ou se está próximo do fim? Camila explica que algumas percepções podem explicar esse momento, como falta de perspectiva de crescimento, perda de interesse e insatisfação pela função ocupada e saúde mental afetada (estresse, irritação constante ou falta de motivação). Ainda de acordo com a especialista, em qualquer uma das situações acima, certamente, chegou a hora de tomar uma atitude e reavaliar a trajetória profissional.

“Quem assume o controle da sua própria carreira sabe que pode mudar o seu próprio destino”, alerta.

Camilla Honorati dá dicas sobre a hora certa para quem deseja mudar de emprego. Foto: Divulgação

Consultora alerta para clima de “pós-pandemia”

consultora organizacional e mentora de líderes, Luciane Botto também celebra os bons números, principalmente em um cenário onde o país tem o avanço da vacinação e a estabilidade nas contaminações e mortes por Covid-19. Mas alerta para um clima de “pós-pandemia” que muitos locais de trabalho possam ter com o retorno das atividades presenciais. E, para ela, ainda há um “longo caminho a percorrer” nessa volta física.

“Demos um salto em termos de tecnologia e o momento é novo. Observamos cada vez mais equipes e lideranças remotas, muitas vezes sem uma estrutura física. Isso será comum e vai requerer uma liderança atuante. Até porque quando vemos as pessoas retornando ao ambiente corporativo, fica muito clara a necessidade de readaptação a um modelo que parece ser o mesmo de antes, mas não é. As mudanças estão acontecendo de forma cada vez mais acelerada e as empresas estão abraçando a tecnologia”, afirma.

Consultora Luciane Botto comenta sobre a readaptação do retorno ao trabalho presencial. Foto: Divulgação

Números do Caged

De acordo com o órgão, os números citados no início da reportagem foram os melhores desde agosto do ano passado, quando foram criados 275.284 empregos com carteira assinada. Ainda segundo o Caged, O setor de Serviços gerou mais de 180.960 mil novos postos de trabalho formais, distribuídos principalmente nas atividades de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas. Destaque também para alojamento e alimentação transportes, armazenagem e correio.

O segundo maior crescimento do emprego formal ocorreu no setor de comércio, com saldo de 139.287 mil novos postos de trabalho formais. O destaque foi para artigos do vestuário e acessórios que apresentou saldo de mais 26.302 mil novas vagas. Um aquecimento visto com comemoração neste final de ano. O Rio de Janeiro foi o segundo estado que mais assinou carteira de trabalho, ficando atrás somente do estado de São Paulo.

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