Insatisfações trabalhistas na empresa com sede em Itu se tornaram corriqueiras. Um protesto chegou a ser realizado em setembro do ano passado (Foto: Arquivo/Sintetel)

Na última quarta-feira (17), o Jornal “Cruzeiro do Sul” divulgou que funcionários da unidade ituana da empresa AlmavivA do Brasil, uma das maiores no setor de relacionamento com o cliente, estariam sofrendo assédio moral e ameaças, além de terem perdido o plano de saúde sem nenhum aviso prévio.

Ainda segundo a reportagem, três funcionários da empresa teriam denunciado, que estão registradas como CLT há mais de oito anos, que estariam sem plano de saúde em meio à pandemia de Covid-19, enquanto supervisores e pessoas com cargos superiores teriam mantido o benefício.

Além disso, funcionários estariam também sofrendo ameaças e assédio moral, como sofrer pressão por idas ao banheiro ou sofrer advertência por escrito ao discordar de um chefe. Funcionários também denunciaram a retirada de ginástica laboral há mais de um ano, com os mesmos queixando-se de problemas adquiridos no emprego, além de complicações com escala de trabalho e pagamento incorreto de horas extras.

O Periscópio conversou com uma funcionária da AlmavivA, que não quis se identificar por medo de represálias. Ela disse que “realmente as denúncias procedem”, reforçando que os funcionários estão sem convênio e, quem quisesse um novo, tinha que pagar por pessoa. “A gente sofre muito lá dentro e tem assédio moral, sim”, disse.

A funcionária comenta ainda que a empresa teria a ameaçado. “Pedirem para tomarmos cuidado com o que postamos nas redes sociais, senão eles irão demitir por justa causa. Não está fácil, estamos sofrendo muito”.

O JP esteve em contato com a AlmavivA para ter um posicionamento da empresa a respeito das denúncias e a mesma informa que “não houve retirada de plano de saúde para os colaboradores, mas sim, uma migração para um programa mais completo de benefícios de saúde”.

A empresa acrescenta que o programa inclui “atendimentos em ambulatórios, clínicas, hospitais, laboratórios, telemedicina, plataforma de orientação psicológica, clínicas odontológicas, acompanhamento de doenças crônicas e descontos em medicamentos nas farmácias, estendido aos familiares, dependentes diretos e indiretos”.

Já sobre as denúncias de assédio moral e ameaças, a AlmavivA do Brasil destaca que  “não compactua com comportamentos que envolvem ameaças e assédio moral e trabalha de maneira contínua para que os seus gestores atuem de acordo com suas diretrizes”.

A empresa reforça que “possui uma ouvidoria interna, disponível para todos colaboradores, com sigilo e confidencialidade, para que relatem comportamentos tidos como impróprios. Uma vez identificada qualquer ação que contrarie seus valores, por meio de processo de apuração interna, os responsáveis são reorientados e, no caso de recorrência, podem ser desligados da organização”.

Sindicado

O Periscópio também esteve em contato com o Sintetel (Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações no Estado de São Paulo), mas até o fechamento desta edição, não obteve um retorno. Porém, em seu site, o sindicato informou que, na última terça-feira (16), realizou uma reunião on-line com representante da AlmavivA para entender as mudanças acarretadas com o novo plano de saúde implantado pela empresa.

Ainda na publicação, o Sintetel afirma que sua direção fez diversas perguntas à empresa, que ficaram sem respostas, como, qual a rede hospitalar do novo plano, tanto na capital quanto no interior, se o trabalhador terá direito ao atendimento ambulatorial nos hospitais conveniados e a realizar cirurgias e quais o plano cobre.

Outro ponto que o sindicato chamou a atenção é o de que “trabalhadores terão direito ao Pronto Socorro limitado a 12 horas. Como assim? E se o caso for grave? O trabalhador será transferido para o SUS?”.

 Ainda de acordo com o Sintetel, o mesmo diz em seu site que “não está convicto sobre esse assunto e as explicações sobre as mudanças não ficaram claras. Do jeito que o plano foi apresentado, nós entendemos que está trazendo grande precarização.”

 “A empresa resolve fazer economia com a saúde do trabalhador em plena pandemia na qual já morreram mais de 280 mil pessoas? Queremos respostas claras, objetivas e formalizadas em documento”, finaliza.

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