Lixo normalmente é sinônimo de algo que se joga fora, algo desprezível. Mas como “jogar fora” um material que pesa cerca de 80 milhões de toneladas e se renova ano após ano? Como desprezar que a produção de lixo no Brasil deverá crescer 16% ou mais na próxima década e que, se o cenário atual for mantido, grande parte desse lixo terá uma destinação ambientalmente inadequada? Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicam que a produção de energia a partir de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) se resume a 220 MW de potência instalada – ou seja apenas 0,1% da matriz elétrica brasileira -, a despeito de avaliações que indicam potencial para alcançar 3%, suficiente para abastecer sozinho todo a nossa região caso os resíduos fossem integralmente aproveitado. Felizmente, cada vez mais brasileiros estão vendo valor no lixo, incluindo oportunidades de negócios. Um mercado que vem crescendo no país, assim como no mundo todo, é voltado à transformação de lixo em energia – elétrica, térmica ou em combustível de veículos.

Vale ressaltar que o aterro sanitário da Estância Turística de Salto tem data certa para se esgotar e, diante disso, a hora de começar a pensar em alternativas ambientalmente corretas é agora. Hoje, o panorama é de oportunidades e energia desperdiçados. Tanto é verdade que o segmento se resume a apenas 31 empreendimentos outorgados pela Aneel, com ampla maioria instalados no estado de São Paulo. Enquanto isso, centenas de toneladas de “combustível” estão sendo enterrados em aterros sanitários, regulares ou não.

Do volume coletado, a maior parte seguiu para disposição em aterros sanitários, um total de 46 milhões de toneladas, conforme a edição mais recente do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil (elaborado pela Abetre). Na contramão deste cenário, a disposição em aterros é elencada como a destinação menos prioritária para o lixo urbano. Estamos, literalmente, desperdiçando energia. De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre), o país gerou quase 82,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2020, cuja metade é matéria orgânica.

Na tentativa de alavancar os RSU como fonte de energia no país, o ministério do Meio Ambiente elaborou em parceria com a Frente Brasil para a Recuperação Energética de Resíduos (FBRER), o Atlas de Recuperação Energética de Resíduos Sólidos. Sua criação se deu em função do programa Lixão Zero, focado na destinação ambientalmente adequada para o lixo urbano. Desde 2019, quando o programa foi iniciado, 645 estruturas inadequadas foram encerradas, mas outros 2.612 lixões, entretanto, ainda operam no país.

Nos planos do governo federal, a ferramenta online deve auxiliar na realização de investimentos (privados) no setor ao mapear as regiões com maior potencial de aproveitamento do lixo para geração energética, além de orientar políticas públicas e estratégias para o aproveitamento energético de resíduos.

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