Novas projeções do Centro de Contingência do Coronavírus do estado de São Paulo mostram que, até 31 de julho, o número de casos registrados da doença em cidades paulistas deve ficar entre 510 mil e 600 mil, e o de mortos, entre 21 mil e 26 mil, o que representaria um salto de até 37% em óbitos.

Diante dos dados e de estudos que sugerem agravamento da situação quando as escolas forem reabertas —e as crianças, ao aumentarem o contato social, passem a disseminar o vírus— o governo estadual disse que vai reavaliar o plano que prevê que, cumprida uma série des condições, as aulas presenciais possam ser retomadas a partir de 8 de setembro.

“Em função dessas novas informações a gente pediu para que o Centro de Contingência faça uma reavaliação do que já havia sido definido com o Secretário Estadual da Educação, Rossieli Soares”, disse João Gabbardo, coordenador do comitê de saúde.

A declaração veio em resposta ao questionamento sobre uma projeção feita pelo matemático e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Eduardo Massad, que estima 17 mil mortes de crianças com a retomada das aulas no Brasil.

As escolas estão fechadas no estado de São Paulo desde a segunda quinzena de março, e o governo afirmou que pretende iniciar a retomada das aulas presenciais, com rodízio de alunos e no máximo 35% dos estudantes de cada instituição em sala, a partir de 8 de setembro. A confirmação, entretanto, só ocorrerá em 4 de setembro, segundo a secretaria da Educação.

Para que ela ocorra o governo diz ser preciso que todas as regiões do estado estejam ao menos na fase amarela do Plano SP de reabertura por pelo menos 28 dias, ainda que admita abrir exceção se apenas uma região não se qualificar. Trocando em miúdos: o estado precisaria estar inteiro na terceira fase, amarela, já em 7 de agosto, sem retrocessos.

Ante o prazo incerto, o governo sofre pressão das escolas particulares para antecipar a abertura, e dos professores para postergá-la.

Atualmente, apenas quatro regiões —capital, Baixada Santista, Registro e todas as subregiões da Grande São Paulo— se encontram na fase amarela. A maior parte está na laranja (segunda fase), e outras quatro (Araçatuba, Franca, Ribeirão Preto e Campinas), na vermelha.

Como as mudanças de fase ocorrem a cada duas semanas, e as regiões na fase vermelha precisam antes passar pela fase laranja, na prática isso significa que o estado, para por o plano de volta às aulas em prática em 8 de setembro sem abrir exceções, não pode ter nenhuma região na fase vermelha já em 24 de julho. Os ajustes são feitos sempre às sextas-feiras.

Desde o início da pandemia até esta quinta-feira (16), São Paulo 402.048 casos de Covid-19 e 19.038, de acordo com dados apresentados pelo secretário executivo da Secretaria de Estado da Saúde, Eduardo Ribeiro. A taxa de ocupação de leitos de UTI está em 66,5% no estado e 65% na Grande São Paulo.

Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, afirma que em dois meses a capacidade de testagem do estado para diagnóstico de Covid-19 foi aumentada em 514% (os números levam em conta o rápido, o RT-PCR e outros tipos de testagens, que não foram especificados). Ao todo, foram realizados até agora 1,1 milhão de testes.

Na entrevista desta quinta, também foi informado que, em 15 dias, no estado de São Paulo, os fiscais da vigilância sanitária fizeram 20 autuações pela falta do uso de máscaras —quatro pedestres e 16 estabelecimentos. No período, foram visitados 7.013 comércios nas principais cidades paulistas.

Decreto do governador João Doria tornou obrigatório o uso de máscaras desde 7 de maio, impondo como pena multas que variam de R$ 524 e R$ 5.000. Segundo a diretora do órgão, Maria Cristina Megid, na maioria dos casos, porém, a abordagem tem sido somente educativa.

Hospital de Campanha do Anhembi

O prefeito Bruno Covas anunciou nesta quinta a desativação de 561 leitos do Hospital de Campanha do Anhembi (zona norte) no dia 1º de agosto, citando a estabilização da doença na capital paulista. O ritmo do aumento de mortes por Covid-19 desacelerou nos 96 distritos da cidade.

O hospital, criado temporariamente para atender pacientes com Covid-19 continuará com 310 leitos em operação, sendo 294 de enfermaria e 16 de estabilização, de seus 1.800 leitos originais.

No hospital da Brasilândia, serão abertos mais 132 leitos de enfermaria permanentes e o Sorocabana receberá 60 novos leitos de enfermaria. Fechado desde 2011, o antigo Hospital Sorocabana teve um andar reativado para atendimento de pacientes com Covid-19.

No total, desde o início da pandemia, foram criados 2.886 novos leitos —1.340 de UTI e 1.546 de enfermaria.

A gestão Covas também implementou oito novos hospitais, sendo dois provisórios (Hospitais de Campanha do Anhembi e do Pacaembu) e seis permanentes (Parelheiros, Brasilândia, Bela Vista, Cruz Vermelha, Capela do Socorro e Guarapiranga).

Artigos relacionados
Carregar mais por - redação
Carregar mais em Notícias

Deixe uma resposta

Leia também

Mesmo com pandemia, PAT de Jundiaí recoloca mais de 1,5 mil trabalhadores

O Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) de Jundiaí, recebe entre 200 a 400 acessos por…