Juliana Campos

(Wagner Carmo/CBAt)

Quando é para ser, não tem como. É assim que podemos definir a trajetória de Juliana Campos no esporte. Aos 23 anos, a brasileira tem a segunda melhor marca da história do país no salto com vara, mas se não fosse uma lesão o sucesso poderia ser em outra modalidade.

Ainda criança, Juliana foi praticante de ginástica artística. Por oito anos, o dia a dia da brasileira estava entre exercícios e apresentações no solo, cavalo, barras e salto. Contudo, por acabar ficando mais alta que as demais, a atleta passou a ter um pouco mais de dificuldade e uma lesão mudou tudo.

“Para mim foi muito surpreendente. Sempre gostei muito de ginástica, mas acabei ficando muito grande para a modalidade e me machuquei. Com isso, a equipe do meu clube me falou para fazer o teste no salto com vara. Relutei um pouco no começo, mas acabei indo e decidi seguir”.

A “troca” de modalidade, da ginástica artística para o salto com vara, é comum principalmente entre as mulheres. Contudo, com Juliana Campos o casamento foi facilitado. Apesar de não esconder que tinha a ginástica no coração, a forma como os resultados passaram a vir em sua “nova carreira” no esporte fez com a que tudo fosse mais tranquilo.

A escolha pelo salto com vara deu tão certo para Juliana Campos que hoje ela coleciona títulos e marcas. A atleta é a atual tricampeã brasileira da modalidade, detém o recorde nacional na categoria sub-23 e conseguiu, em 2018, a segunda melhor marca da história, com 4,56 m, atrás somente de Fabiana Murer, que tem 4,85 m.

Juliana comemorando a segunda melhor marca da história do país no salto com vara (Arquivo Pessoal)

“Essa competição foi muito boa para mim. Eu estava na Espanha e comecei baixo. Fui fazendo as marcas, passei o 3,90 m, 4,00 m, 4,10 m e quando eu vi já tinha melhorado a minha melhor marca e superado a minha meta, que era 4,50 m. Estava bem, passando com sobra, tentei o 4,56 m e consegui, sabia que era a segunda melhor marca da história do país e foi só felicidade”.

A vara não viajou

Em 2008, na Olimpíada de Pequim, Fabiana Murer perdeu sua vara, se desconcentrou e acabou eliminada da competição. 11 anos depois, na Itália, Juliana Campos quase teve o mesmo problema.

Como fazia faculdade de administração, a atleta conseguiu o direito de disputar a Universíade, que foi realizada em Nápoles. Contudo, na hora de embarcar o problema aconteceu.

Assim como faz em todas as vezes que precisa pegar o avião, a atleta entrou em contato com a companhia aérea, que autorizou levar na viagem o pode com as varas de mais de 4 m. Porém, ao chegar no aeroporto, Juliana foi informada que não poderia leva-las.

“No dia que eu fui viajar a companhia aérea se negou a levar as varas. A equipe da CBDU me garantiu que eu teria as varas para competir, mas no fim eu consegui algumas emprestadas de uma atleta americana para disputar a qualificatória e na final as minhas chegaram”.

A administradora

Aos 23 anos, Juliana Campos pode ser considerada jovem para a modalidade, mas ela vê as coisas um pouco diferente. Sabendo que a vida no atletismo não é para sempre, a atleta do salto com vara conseguiu unir o amor pelo esporte com os estudos e se preparou para o futuro.

“Eu gosto de me preparar para o que vier. Consegui fazer faculdade, estudei administração e me formei na PUC-SP. Hoje eu sou atleta, mas se acabar não der certo, eu tenho por onde começar, fora do esporte. Espero conseguir seguir no atletismo, mas tenho esse caminho e quem sabe no futuro não junto os dois”.

Artigos relacionados
Carregar mais por - redação
Carregar mais em Notícias

Deixe uma resposta

Leia também

Saúde pública continua gratuita para população, diz Economia

A eventual concessão da construção e da gestão de Unidades Básicas de Saúde (UBS) à inicia…