Produtor Jamil Zampaulo e a veterinária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Flavia Vasquez

Mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia da COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus, as pequenas propriedades do Estado buscam a inserção ou manutenção no mercado, de modo a garantir uma clientela fiel aos itens produzidos.

Em função do cenário atual, com paralisação de atividades em alguns setores, o produtor rural de Tietê, Jamil Rodrigues Zampaulo, proprietário do Sítio São João, compartilha a experiência e as escolhas que o levaram, como proprietário de áreas pequenas, a se inserir e competir no mercado.

“Estamos nos adequando a cada semana. Na primeira, os pedidos foram normais; na segunda, o restaurante em Itu passou a fazer apenas ‘quentinhas’ para entrega e como muitos estão preparando refeições em casa, houve redução. Em relação às entregas em condomínios, estamos providenciando um grupo no WhatsApp para atender compras diretas, seja retirada no próprio Sítio, em Tietê, quanto em Salto, onde resido. Dividi a semana em quatro dias em Tietê e de terça a quinta-feira em Salto. Assim, não deixamos ninguém sem atendimento”, revela o empreendedor.

O telefone para pedidos (11) 98225-8243 tem sido a ferramenta para atender na região que abrange Salto, Itu e Tietê. Jamil diz que, dessa forma, se organiza para não deixar a clientela sem atendimento, fazendo isso de forma correta, com máscara, luva e cuidados com a higienização adequada.

“Precisamos nos reinventar neste período e nos adequarmos para que possamos continuar na atividade”, completa o produtor. Ficaram para depois os planos de aumentar a infraestrutura tanto na questão do gado, com melhoria genética e reforma de instalações, quanto na troca de parte do plantel das galinhas poedeiras. Agora, o momento é de investir no delivery e não perder os clientes conquistados ao longo do tempo.

Alternativas

A diversificação nas atividades e o planejamento estratégico das iniciativas foram os ingredientes da receita utilizada por Jamil Zampaulo para conquistar um mercado fiel para todos os produtos e lucratividade em nas atividades que desempenha, do gado de corte aos ovos tipo caipira, a mandioca e a amora preta já entregues minimamente processadas.

Quanto ao gado de corte, mestiçagens entre Nelore e Senepol, o empreendedor conseguiu, nos últimos quatro anos, ser reconhecido como o produtor da região com maior capacidade de lotação animal por área de pasto.

O Sítio São João, que reúne em 16 hectares em três pequenas propriedades, foi herança da família materna, de sobrenome Marsom, antigos produtores rurais da região, terras adquiridas ainda nos tempos em que se firmava a imigração italiana para a colheita do café no início do século passado. O gosto pelas atividades rurais e o amor pela terra ficaram na genética de Jamil, que morou na capital por mais de 30 anos e, ao se aposentar como professor de Sociologia e Economia, resolveu investir na propriedade.

Para isso, ele procurou capacitação e encontrou na Casa da Agricultura de Tietê e na Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) Regional Piracicaba, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, o apoio fundamental dos extensionistas para planejar e desenvolver as várias atividades a que se propôs.

O início foi com a melhoria da pastagem, auxiliado pelo engenheiro agrônomo Antonio Carlos Nicolosi de Faria, da Casa da Agricultura de Tietê, para dividir a área onde havia quatro pastos e plantio de cana e milho em nove piquetes de 1 hectare, no qual instalou três variedades de capim: mombaça, estrela africana e mg-5. “Os maiores entraves eram a água e a insolação, resolvemos isso com a subdivisão de dois piquetes em piquetes menores e irrigados (há um poço artesiano); hoje, a alimentação é toda no pasto, somada às necessárias suplementações de inverno feitas com silagem adquirida de parceiros”, explica.

Segundo o ex-professor de Economia, o procedimento é mais vantajoso. Dessa forma, já era possível dar início a melhoria genética do gado, contando com a experiência da médica veterinária Flávia Vasques, da CDRS Regional Piracicaba. A Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) e a monta natural ainda são utilizadas, e o acompanhamento tem sido feito com o aparelho de ultrassom fornecido pelo Governo do Estado, via Secretaria de Agricultura e Abastecimento, para todas as Regionais da CDRS que têm importante atividade pecuária.

Projetos

O rebanho varia entre 70 a 80 cabeças com cria e engorda, mas Jamil pretende ter todas as fases até a terminação, um de seus projetos futuros. Enquanto isso, trata cada animal como “doméstico”. O gado de maioria Nelore é manso, como costuma ser o gado leiteiro. A novilha Nina, criada em mamadeira, está em sua primeira prenhez e é acompanhada de perto pela extensionista Flávia.

Além do gado, muito bem aceito pelos frigoríficos, em paralelo e com apoio do professor e pesquisador Gerson Barreto Mourão da Escola Superior de Agronomia “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), teve início o plantel de galinhas poedeiras. “Estudei as raças, cinco a princípio, e observamos as que melhor se adaptavam. Ainda tenho outras, mas a melhor, sem dúvida, é a Isa Brown”, explica o produtor.

O sistema indicado pela Esalq, de semiconfinamento com oferta de uma ração baseada no milho, garante ovos tipo caipira, de sabor característico, que agradam a clientela responsável pelo consumo de cerca de 50 dúzias de ovos por dia, mesmo com um valor diferenciado (revendedor R$ 17 a bandeja com 30 ovos e consumidor final R$ 10,50 a dúzia).

O plantel conta com 950 galinhas e, apesar da demanda, segundo os cálculos de Jamil, é preferível manter esse número. “Aumentar para mais de mil significaria investimentos maiores. No momento, prefiro investir em um plantel de qualidade e incluir a criação mista confinamento e pasto”, afirma o pecuarista, que também é avicultor.

Mas a ânsia por conhecimento e diversificação de atividades não para por aí. Jamil tem ainda uma área de plantio de mandioca, atividade que não exige muita mão de obra no cultivo, mas na qual ele ganha por valor agregado oferecendo aos restaurantes, pequenos comércios e clientes diretos. São 50 kg de mandioca por semana, descascada e congelada – também um valor agregado que reverte em maior lucratividade.

Cultivo

Na cerca que divide o sítio do vizinho, o empreendedor cultiva amoras preta. A demanda por frutas vermelhas não passou despercebida e os mesmos clientes, que já adquirem os ovos e a mandioca, passaram também a adquirir as amoras oferecidas congeladas em pacotes de 500 g. “Investigando, descobrimos a melhor forma de congelamento. Elas são muito apreciadas e vendemos tudo que produzimos”, revela.

A verticalização do Sítio São João vem garantindo boa rentabilidade em todas as atividades. Jamil Zampaulo é a favor da agricultura familiar e não pretende, com pouco mais de 70 anos, porém vigor invejável a muitos jovens, aumentar a produção. Ele quer garantir produtos de qualidade diferenciada. O próprio empreendedor comercializa todos os produtos dele entre Salto, Tietê e arredores.

“Nada como sentir a satisfação de uma clientela garantida, lucro certo e muita energia para continuar aprendendo, sempre”, diz Jamil. Ele destaca que tudo foi possível graças ao trabalho da pasta, tanto da Casa da Agricultura quanto da Regional Piracicaba.

“Esse trabalho de extensão rural oferecido pelo Governo de São Paulo permite que tenhamos orientação e apoio suficientes, não só para mim, mas para outros que tenham a mesma vocação. Hoje, meu sítio se tornou uma referência em diversidade, produtividade e garantia de mercado. Recebo, com prazer, a visita de outros produtores que querem saber qual é o caminho”, finaliza.

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