A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar a conduta dos jornalistas do programa Cidade Alerta (Record TV), após mostrarem a imagem de um homem como suspeito de ter assassinado uma mulher de 18 anos, na cidade de Salto (SP). Mesmo borrada, era possível identificar o rosto dele. O indivíduo em questão foi assassinado com sete tiros horas após a exibição de sua imagem na TV.

Durante a reportagem, o apresentador Luiz Bacci afirmou: ”O programa ainda não tem autorização para mostrar sem esse borrão. Mas quem conhece esse homem já passa informações para a polícia. Quem é amigo desse homem sabe quem é”.

O colunista Maurício Stycer (UOL) procurou a emissora para perguntar por que o Cidade Alerta exibiu a imagem do homem mesmo sabendo que ele poderia ser identificado. A Record respondeu que “entre amigos, familiares, testemunhas e moradores da região de Salto, todos já sabiam quem era”.

Segundo o repórter Rogério Pagnan (Folha de S.Paulo), “a polícia afirma que (Alécio Ferreira) Dias não era suspeito de crime algum. Diz que só foi procurada por produtores do programa quando a matéria já estava no ar, com uma série de informações imprecisas”.

Stycer, em sua coluna no UOL, fez uma análise sobre programas policiais na TV: “Programas jornalísticos têm a obrigação de dar notícias, não de serem notícia. O Cidade Alerta contrariou mais uma vez este princípio básico e voltou a ser notícia esta semana por motivos trágicos. (…) Por serem considerados jornalísticos, programas como o Cidade Alerta podem ser exibidos em qualquer horário. Todas as restrições sobre a apresentação de cenas violentas em novelas durante o dia não valem para os jornalísticos”.

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