Prêmio conquistado por cineasta brasileiro é encontrado em cofre em Salto

Prêmio conquistado por cineasta brasileiro é encontrado em cofre em Salto

A Palma de Ouro conquistada no Festival de Cannes, em 1962, pelo diretor Anselmo Duarte ficou quase 10 anos trancada em um cofre que ninguém sabia a senha, em Salto (SP). O prêmio foi pelo filme “O Pagador de Promessa”.

Foi preciso arrombar o cofre, que fica na antiga Prefeitura de Salto, para ter certeza que o troféu estava guardado. Depois de uma hora e meia de expectativa, a Palma de Ouro original do artista estava protegida em uma caixa improvisada e foi localizada no mês de março deste ano. Atualmente, funciona o prédio o serviço de água e esgoto da cidade.

Prêmio recuperado em Salto — Foto: Reprodução/TV TEM

Anselmo Duarte Júnior, um dos quatro filhos do artista, mora em Natal, Rio Grande do Norte, e acompanhou tudo pela internet.

“Todo mundo muito apreensivo. Lá fechado e ninguém sabia o que tinha acontecido. Foi um alívio no final”, disse.

A combinação de senha e chave não abriu o cofre e foi preciso contratar um especialista para ver o que estava guardado. Eram documentos, cheques e o prêmio.

Anselmo Duarte nasceu em Salto, em 1920, e ainda criança conheceu o cinema trabalhando como molhador de tela. Na época, uma função necessária para a projeção dos filmes.

O trabalho, que geralmente era feito por crianças, garantia que a tela ficasse sempre úmida para evitar incêndio e garantir mais brilho a projeção. Foi assim que Anselmo teve os primeiros contatos com o cinema.

Como ator, fez mais de quarenta filmes. Como diretor, em 1962, conquistou a Palma de Ouro em Cannes, na França. O filme era uma adaptação da obra do mesmo nome do dramaturgo Dias Gomes.

O longa filmado em Salvador conta a história de Zé do Burro, vivido por Leonardo Villar. Um homem simples que carrega uma cruz até a igreja para pagar a promessa feita em um terreiro de Candomblé, onde foi pedida a cura do burro dele, o Nicolau.

A atriz Glória Menezes interpretou a mulher do protagonista. Anselmo Duarte morreu em 2009.

Prêmio estava guardado em cofre em Salto — Foto: Reprodução/TV TEM

A vida do diretor chamou a atenção de Oséias Singh Jr, secretário de cultura, que escreveu um livro que fala sobre a importância da Palma de Ouro para Salto.

No Centro de Educação e Cultura, que tem o nome do Anselmo Duarte, fica uma réplica do prêmio com o estojo original.

A réplica foi feita com os dedos da palma quebrados, como o prêmio original. Isso aconteceu porque o Anselmo o derrubou. A réplica vai continuar exposta no Centro de Cultura. A Palma de Ouro original vai para outro cofre.

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