No total foram 130 pontos monitorados neste ciclo de 2020 a 2021 (Foto: Malu Ribeiro/SOS Mata Atlântica)

Na última segunda-feira (22), quando foi celebrado o Dia Mundial da Água, a Fundação SOS Mata Atlântica divulgou os dados sobre a condição ambiental dos rios monitorados durante o ciclo hidrológico de março de 2020 a fevereiro de 2021, que coincide com o primeiro ano da pandemia do novo coronavírus.

Com o relatório “Retrato da Qualidade da Água nas Bacias Hidrográficas da Mata Atlântica”, a ONG apresenta um panorama sobre a qualidade da água de 130 pontos de monitoramento, distribuídos em 77 trechos de rios e corpos d’água brasileiros, em 64 municípios, nos 17 estados do bioma Mata Atlântica.

No total dos 130 pontos monitorados neste ciclo de 2020 a 2021, 95 deles (73,1%) apresentaram qualidade da água regular, 22 (16,9%) ruim e 13 (10%) estão em boa condição. O levantamento não identificou corpos d’água com qualidade de água ótima ou péssima. No caso do Rio Tietê, dos 14 pontos de monitoramento fixos, quatro apresentaram melhora. O rio saiu da condição ruim para regular nas cidades de Itu, Salto e Santana de Parnaíba.

“O Rio Tietê, sempre destacado em razão das altas cargas de poluição que recebe, apresentou apenas um ponto com piora no índice de qualidade da água, na média dos 12 meses de análises. Esse ponto localizado no município de Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo vem sofrendo com o aumento acelerado de ocupações irregulares entre as cidades de Mogi das Cruzes e Suzano, em área de risco para as populações. Conseguir que um grande rio como o Tietê, apresente esses indicadores pode parecer pouco, mas reforça a importância de investir de forma continua em saneamento básico”, reforça a jornalista ituana Malu Ribeiro, diretora de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica.

Pontos dos rios Tietê e Jundiaí, em São Paulo, alcançaram o índice de qualidade boa. “O ponto do Tietê é na cidade de Salesópolis, onde fica sua nascente, e o Rio Jundiaí, no município de Salto. Os outros pontos com melhoria foram encontrados nos estados de Pernambuco, Sergipe e outros três em São Paulo. Estes últimos saíram de ruim para regular”, afirma Gustavo Veronesi, coordenador do projeto Observando os Rios.

Os dados do Índice de Qualidade da Água (IQA) reunidos no relatório divulgado foram elaborados com base na legislação vigente utilizando 16 parâmetros físicos, químicos, biológicos e de percepção. Os parâmetros do IQA foram escolhidos por especialistas e técnicos como os mais relevantes para avaliação das águas doces brutas destinadas ao abastecimento público e aos usos múltiplos.

A totalização dos indicadores medidos resulta na classificação da qualidade da água, em uma escala que varia entre: ótima, boa, regular, ruim e péssima. O IQA, adaptado do índice desenvolvido pela National Sanitation Foundation, dos Estados Unidos, é obtido por meio da soma de parâmetros físicos, químicos e biológicos encontrados nas amostras de água.

“A gente já fala há muitos anos que a situação de um rio é o espelho do comportamento da sociedade. O processo de degradação de um corpo d’água, por lançamento de esgotos sem tratamento ou desmatamento de suas margens é rápido, mas, a recuperação pode demandar muitos anos. Por isso, os indicadores e dados mudam pouco, mas os rios têm, em geral boa capacidade de se recuperar, desde que não fiquemos parados. É preciso agir agora, mudar a nossa forma de gestão e governança e como consumimos a água”, afirma Veronesi.

Os indicadores de qualidade da água reunidos no estudo foram obtidos graças ao trabalho voluntário de 3.000 pessoas que integram 256 grupos de monitoramento do projeto Observando os Rios, patrocinado pela Ypê e com apoio da Sompo Seguros. Os grupos de voluntários coletaram e analisaram a qualidade da água, ao longo do ciclo de 12 meses, com acompanhamento e supervisão técnica da Fundação SOS Mata Atlântica.

Pontos quentes

Matéria publicada pelo jornal “O Globo”, mostra que, pela primeira vez em 30 anos, pesquisadores identificaram, em vários trechos do Tietê, temperaturas de 30 graus. À exceção do Nordeste, a temperatura dos rios da Mata Atlântica gira em torno de 18 a 25 graus, mesmo no litoral. Malu Ribeiro afirmou ao jornal que aumento da temperatura da água afeta a vida dentro do rio, muda o PH, reduz o oxigênio e facilita proliferação de algas.

Segundo ela, a descoberta, feita durante a pesquisa anual de monitoramento da qualidade das águas, pode estar vinculada às mudanças climáticas. “Nunca tínhamos encontrado temperaturas tão altas como essas. É uma novidade”, diz Malu. Os pontos de águas quentes do Rio Tietê são vários. Estão entre os Itu e Cabreúva e nas cidades de Barra Bonita, Piracicaba, Porto Feliz e Tietê.

Dia da Água

O Dia Mundial da Água é comemorado em 22 de março e apresenta como objetivo colocar em discussão assuntos importantes relacionados com esse recurso natural. Diante da importância da água para a nossa sobrevivência e da necessidade urgente de manter esse recurso disponível, surgiu o Dia Mundial da Água. Essa data foi criada em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e visa à ampliação da discussão sobre esse tema.

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