Será lançado no dia 1º de dezembro, em São Bernardo, o Centro de Cidadania LGBTI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Intersexuais e Outros) Neon Cunha. O centro, cujo registro oficial e CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) estão em vias de serem obtidos, tem como principal objetivo reconhecer a população LGBTI+ da cidade (e da região), suas necessidades e especificidades, para então poder propor políticas e medidas que os beneficiem e auxiliem.

Com sede provisória no Jardim Ypê, o centro pretende oferecer formação e capacitação contemporânea, abordando e respeitando todas as identidades de gêneros e orientações sexuais. “É preciso reconhecer e saber onde estão essas pessoas. Em quais bairros moram, que lugares frequentam. Não podemos fazer inclusão excluindo”, destacou Neon Cunha, publicitária, mulher negra transgênero de 48 anos, ativista independente e que empresta seu nome ao equipamento.

Neon deve atuar como colaboradora do centro, assim como os demais participantes, que não se identificam como presidente ou diretores da futura instituição. “Queremos uma direção coletiva e horizontal, na qual as decisões sejam tomadas considerando a participação de todos que estão nessa construção”, explica o funcionário público Rai Neves, 36.

Abrir o centro foi a forma encontrada pelo grupo de ativistas para poder captar recursos para as iniciativas e ser reconhecido pelo poder público. O bloco ainda reúne a advogada Alexandra Fortes, 50, o mestrando em Políticas Públicas Kevin Correia, 24, o contador Paulo Araújo, 29, a estudante secundarista Mariane Camilo, 18, o administrador Francisco Coelho, 33, o jornalista Cosmo Silva, 41, e a educadora social Ingrid Limeira, 34.

Desde 2009, alguns desses ativistas já se organizavam por meio do Coletivo Prisma, que articula medidas de apoio à população LGBTI+ na UFABC (Universidade Federal do ABC), no campus de São Bernardo. “O coletivo promovia várias atividades e fomos unindo forças, até que em 2017 criamos o Fórum LGBT de São Bernardo, como forma de reunir esses ativistas que estavam um pouco dispersos”, explicou Araújo.

Com o fórum, detalhou o ativista, foi possível avançar em diversos debates, identificar quem estava disposto a participar das discussões e em abril deste ano foi realizada a primeira Feira de Empreendedorismo LGBT do ABC, no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo. “Na UFABC, o coletivo atuou fortemente na implantação das cotas para pessoas transgênero e também na liberação dos banheiros para uso de acordo com a identidade de gênero declarada pela pessoa”, completou Coelho. “É importante destacar que esse é um processo de construção coletiva. Está tudo em formação, de maneira embrionária”, afirmou Neon.

 

LANÇAMENTO

O lançamento do Centro de Cidadania LGBTI+ acontece no dia 1º de dezembro, às 18h30, na Sala Celso Daniel do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, na Rua João Basso, 231. O lançamento será no sindicato, que cedeu as instalações, mas os ativistas ressaltam que o centro é totalmente apartidário. Informações sobre as futuras atividades pela página do Centro no Facebook (facebook/cclgbtineoncunha).

 

Ativista transgênero inspira espaço

Neon Cunha, 48 anos, publicitária, mulher negra transgênero, ativista independente e moradora de São Bernardo. É ela quem empresta o nome – após muita insistência, frisam os idealizadores – ao futuro Centro de Cidadania LGBTI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Intersexuais e Outros) que será lançado em 1º de dezembro. Apesar de destacar que não quer nenhum tipo de “personalização” de sua figura com a instituição, é ela, com sua experiência e vivência de pessoa transgênero, quem tem auxiliado o grupo a pensar qual será o modelo, as missões e os objetivos do equipamento.

No processo de obter na Justiça a mudança de nome em seus documentos, Neon não aceitou o diagnóstico de transtorno de disforia de gênero, condição descrita pela medicina como desconforto com o gênero que é atribuído ao nascer, e uma das condições para a emissão dos papéis. “Hoje, meu papel social é a luta pela despatologização dos transgêneros”, afirma. Despatologizar, ou em palavras mais claras, tirar a noção de que transgêneros são doentes. “Não acredito em processo de transição. Acredito em reconhecimento. Eu me reconheço como mulher negra, quem tem problemas com isso é a sociedade”, argumentou.

“No Brasil, fala-se em três tipos de transgêneros: homens trans, mulheres trans e travestis. Nem todos se reconhecem assim, existem outros, é preciso falar sobre isso”, afirma. Neon também relata que é preciso pensar além, considerando as necessidades de mulheres trans negras, mulheres trans moradoras de rua e todas as outras possíveis variáveis. “Elas podem ser apenas uma ou todas em uma só. Ou ainda nenhuma delas e não se identificar em um gênero definido.”

Neon destaca, ainda, que são necessários educação e formação e contemporânea, para que seja alcançado o respeito à população LGBTI+. “Temos que falar de educação, de formação, de arte, mas que tipo de educação, se ainda adotamos a mesma base de formação acadêmico e processual dos anos 1940?”, questiona. “É preciso debater a transcidadania, enfrentar a evasão dessa população dos serviços de saúde, que não os acolhe e como fazer isso em um contexto de teto de gastos e com cada vez menos recursos.”

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