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Contra coronavírus mutante, veto a voos do Reino Unido dispara e soma 42 países

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Mais de 40 países anunciaram nesta segunda-feira (21) bloqueios à entrada de viajantes oriundos do Reino Unido, aumentando o isolamento de Londres e deixando o país à beira do caos a apenas dez dias do brexit. Os vetos vieram dois dias após o governo britânico endurecer o lockdown na capital e em outras cidades, para tentar conter uma mutação do coronavírus. O premiê Boris Johnson convocou uma reunião de emergência com o gabinete para debater a situação. O temor é que o fechamento das fronteiras leve a um cenário de desabastecimento generalizado. Ao menos 42 nações e territórios haviam vetado a entrada de viajantes vindos do Reino Unido até a tarde desta segunda —na noite de domingo, eram 13. Entre os países que anunciaram novas restrições nesta segunda, está a Rússia, que suspendeu os voos com o Reino Unido por uma semana. A Índia tomou a mesma medida, mas com validade até o fim do ano, enquanto em Hong Kong (território que pertence à China), o veto será válido por duas semanas. Os europeus Portugal, Espanha, Polônia, Noruega e Dinamarca também decretaram o bloqueio —este último já detectou ao menos nove pessoas infectadas com a nova mutação do coronavírus. Itália, Austrália, Holanda e África do Sul também identificaram pessoas com o patógeno mutante, além de Gibraltar (um território britânico na Península Ibérica). As medidas de restrição tomadas pelos países têm como objetivo exatamente dificultar a disseminação dessa variação que, por ser 70% mais infecciosa, acaba circulando com maior velocidade. Na América do Sul, Argentina, Colômbia, Peru e Chile também já anunciaram o veto para voos com passagem do Reino Unido. O governo brasileiro até o momento não se pronunciou sobre o assunto. Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul também não tomaram medidas contra o Reino Unido, mas afirmaram que estudam essa possibilidade. No domingo, uma série de países já tinha tomando medida semelhante, incluindo Alemanha, Arábia Saudita, Irã, Irlanda, Israel, Itália, Suíça e Turquia. Uma das restrições mais duras foi imposta pela França, que no domingo fechou por 48 horas suas fronteiras por terra, ar e mar com o Reino Unido. Como boa parte das importações britânicas chegam ao país via França, a medida fez soar o alarme para o risco de desabastecimento, já que o transporte de mercadorias também está proibido pelo veto atual. Nesta segunda, faixas nas rodovias do sul da Inglaterra alertam os viajantes e motoristas que transportam mercadorias sobre o fechamento da fronteira. A segunda maior rede de supermercados do Reino Unido, a Sainsbury’s, disse que a falta de produtos nas prateleiras vai começar já nos próximos dias. Segundo a empresa, verduras, legumes e outros produtos frescos devem ser os primeiros a serem afetados. Horas depois, a rede Tesco, líder do setor, também apontou o problema e disse que podem faltar alface, couve-flor, hortaliças e frutas cítricas em breve. O equivalente ao sindicato dos caminhoneiros da França anunciou também que devido ao risco de contágio seus associados não querem entregar produtos no Reino Unido, ainda que o governo retire a restrição. Em entrevista coletiva nesta segunda, Boris disse que falou por telefone sobre o assunto com o presidente francês, Emmanuel Macron. Sem dar detalhes da conversa, o primeiro-ministro britânico afirmou que espera chegar a uma solução com Paris nas próximas horas. O premiê também disse que as atuais restrições não afetaram o fornecimento dos suprimentos para o país e descartou a possibilidade de uma crise de desabastecimento. Mais cedo, um porta-voz do governo britânico já tinha afirmado que não há ligação entre as novas restrições feitas pela França e as atuais negociações do brexit. O Reino Unido deixou oficialmente a União Europeia em janeiro, mas a relação entre o país e o bloco segue regulada pelo acordo de saída. O período de transição, porém, termina no final deste ano. Assim, os dois lados têm tentado negociar um acordo comercial para regular as relações a partir de 1º de janeiro. Mas as conversas têm avançado com dificuldade e é grande a chance de que nada seja decidido até o final do ano. Nesse caso, além das consequências sociais e econômicas, uma das grandes preocupações é o que aconteceria com o abastecimento britânico. Boa parte dos suprimentos e das cadeias produtivas do país dependem de material que vem da Europa. Sem um acordo, é possível que isso seja afetado, levando a um desabastecimento generalizado no país. Apesar disso, o governo britânico disse que não vai pedir um adiamento do período de transição para além de 31 de dezembro. A União Europeia também convocou uma reunião de emergência para debater uma resposta conjunta do continente ao problema. Foi o próprio Boris que endureceu no sábado (19) as restrições ao contato social em Londres e partes do sudeste da Inglaterra até 30 de dezembro, citando como razão a disseminação da nova variação identificada do patógeno. Ele divulgou que essa nova versão do vírus é 70% mais contagiosa, mas ainda é preciso fazer estudos mais aprofundados para confirmar esse dado. Pesquisas iniciais apontam que a nova mutação tem maior habilidade para entrar nas células humanas, o que aumenta seu poder de contágio. Essa vantagem ocorre por alterações no chamado “spike”, a parte usada pelo vírus para forçar a entrada nas células. Mutações em vírus, no entanto, são corriqueiras. Conforme o patógeno se reproduz, as novas versões possuem detalhes levemente diferentes das anteriores, embora a maior parte siga igual. Hoje há várias versões do coronavírus circulando. Com o tempo, variações mais eficientes acabam se proliferando mais. Um dos pontos que preocupam o governo britânico é que o essa nova variedade já representa dois terços dos novos casos de infecção registrados em Londres. Segundo as autoridades de saúde, essas mudanças não devem afetar a eficácia das vacinas, que começam a ser aplicadas. Elas são projetadas para gerar defesas no corpo capazes de atingir o vírus de várias formas. As imunizações só precisam ser refeitas em caso de grandes mutações, o que parece não ser o caso atual. Anunciadas às vésperas do Natal, as medidas que fecharam Londres são as mais severas que o governo britânico já tomou desde o lockdown nacional que vigorou em março e refletem o medo de que a nova variante pudesse aumentar a transmissão do vírus durante o inverno.​ Alarmado, o premiê britânico mudou radicalmente a estratégia de enfrentamento da pandemia no sábado ao impor o novo fechamento.​ A decisão veio depois de o governo ser informado sobre novas evidências de uma variante do vírus que já havia sido detectada em Kent, ao sudeste de Londres. Os moradores dessas regiões agora estão sob o nível de alerta mais alto: a orientação é para que todos fiquem em casa e que os comércios considerados não essenciais permaneçam fechados. Pubs, restaurantes e museus já estão proibidos de abrir desde o final de semana passado, e os deslocamentos para fora dessa área estão suspensos. Também não será possível realizar reuniões com moradores de outras casas —nas áreas que não estão em alerta máximo, os encontros devem acontecer em um único dia.

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