Eles deixaram por um túnel a prisão em Pedro Juan Caballero, que fica na fronteira com Ponta Porã (Mato Grosso do Sul). Entre os foragidos, estão brasileiros e paraguaios.

Setenta e seis integrantes de uma facção criminosa brasileira fugiram por um túnel da Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, que fica na fronteira com a cidade brasileira de Ponta Porã (Mato Grosso do Sul), na madrugada deste domingo (19).

A ministra da Justiça do Paraguai, Cecilia Perez, informou pela manhã que 91 presos conseguiram escapar da prisão por volta das 4h (3h, em Ponta Porã) e disse que eles são integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Mais tarde, a procuradora Reinalda Palacios declarou que o número de fugitivos foi atualizado para 75, de acordo com o jornal “ABC Color”.

Por fim, em uma coletiva de imprensa, na tarde deste domingo, Perez afirmou que são 76 fugitivos.

Uma lista de foragidos brasileiros e paraguaios foi divulgada pelo Ministério da Justiça. Entre eles, estão o brasileiro Timóteo Ferreira, apontado como líder da facção dentro do presídio, e seis supostos integrantes do grupo de matadores de aluguel ligados ao tráfico “Minotauro”. Eles atuam na fronteira e na semana passada buscavam deixar a prisão com uma ordem judicial.

O Ministério Público informou que vídeos das câmeras de segurança do presídio mostram uma movimentação intensa desde as 4h deste domingo. Para a promotora, é impressionante que os guardas não tenham agido diante das imagens que tinham à disposição.

Cinquenta dos detidos estavam em um piso superior e 25 no inferior, onde o túnel foi cavado. Para ter acesso ao piso inferior, os detentos devem passar por um portão, que deve permanecer trancado.

O que chamou a atenção dos promotores foi que esse portão estava trancado no momento em que Ministério Público foi visitar o local após a fuga.

As autoridades paraguaias investigam se houve uma rede de corrupção que facilitou a fuga. A ordem de captura dos foragidos deve ser emitida em algumas horas. Até a última atualização dessa matéria, nenhum deles havia sido recapturado.

Roupas são vistas na entrada de um túnel na prisão de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, por onde dezenas de presos fugiram na manhã deste domingo (19) — Foto: Marciano Candia/AP

Crise na segurança

A ministra da Justiça afirmou ainda nesta manhã que sua pasta denunciou ao Ministério Público um suposto plano de fuga e pagamento de 80 mil dólares (mais de R$ 330 mil) por parte de integrantes da facção criminosa para os funcionários da prisão regional de Pedro Juan Caballero, de acordo com o jornal “La Nación”.

“É um trabalho que levou dias e é impossível que as autoridades não percebessem que estava para acontecer… obviamente esse era um plano adquirido”, disse Pérez à estação de rádio Monumental.

Segundo os jornais paraguaios, a ministra da Justiça colocou o cargo à disposição. De acordo com o jornal ABC Color, o presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, não aceitou o pedido.

Os jornais do país também afirmam que 28 carcereiros que trabalhavam na penitenciária durante a fuga foram presos a pedido do Ministério Público do Paraguai. Eles são suspeitos de terem colaborado com a fuga dos presos.

Uma van da polícia paraguaia é vista na entrada da Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, neste domingo (19) — Foto: Marciano Candia/AP

Segurança do lado brasileiro

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) de Mato Grosso do Sul informou que está em contato com as autoridades paraguaias. O policiamento em Ponta Porã e Dourados, maior cidade da região e possível destino de fugitivos, foi reforçado com equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, também afirmou que o governo federal está trabalhando junto com os estados para impedir a entrada dos detentos no Brasil.

Por volta das 16h deste domingo, o Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou o fechamento da fronteira com o Paraguai no Mato Grosso do Sul.

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