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Estabelecimentos atendem as preferências de todos os clientes e investem em conteúdos veganos e zero açúcar
Dia do Sorvete: Sorveterias de Sorocaba inovam nos sabores, mas mantêm perfil familiar
As várias opções de sorvete com chocolate, doce de leite e ninho trufado estão entre as novidades em termos de sabores. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (19/9/2019)

Os dias mais quentes pedem um sorvete, seja ele em forma de picolé ou massa, nos mais variados sabores. Alimento consumido o ano inteiro no Brasil, o Dia do Sorvete é comemorado amanhã (23) e a Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvete (ABIS) estima que somente no ano passado o País produziu mais de 800 milhões de litros de sorvete e que o brasileiro consome, em média, 5,3 litros de sorvete por ano. Em Sorocaba há várias sorveterias de perfil familiar e já tradicionais, mas que seguem se atualizando com as novidades e tecnologias do setor.

Foi no sorvete que Fábio de Souza, 50 anos, encontrou o sustento da família e hoje emprega aproximadamente 50 funcionários de forma direta na rede Verão Vivo, fundada há 27 anos. Nascido em Ourinhos e formado em agronomia, Fábio ficou desempregado e decidiu comercializar sorvete depois que um amigo apresentou essa possibilidade. Ao lado da esposa, Lucilene Machado de Siqueira, 42 anos, por dois meses revendeu picolés e então decidiu que era hora de se aventurar na fabricação. “Deu certo! A gente foi se qualificando, estudando, buscando bons fornecedores e hoje eu distribuo o sorvete para mais de 50 cidades do Estado, passando pela região de Itararé, Campinas e claro, Sorocaba”, conta, orgulhoso.

Dia do Sorvete: Sorveterias de Sorocaba inovam nos sabores, mas mantêm perfil familiar
O açaí já conquistou o paladar de muitos sorocabanos, entre as diversas delícias geladas. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (19/9/2019)

A produção diária, entre sorvetes de massa, creme de açaí e picolé, supera as dez toneladas. Lucilene lembra que grande parte da família está envolvida no negócio, que preza pela qualidade e preço acessível. Entre as modas que já surgiram no mundo do sorvete, a Verão Vivo embarcou com força nas paletas mexicanas, “febre” entre 2013 e 2015. “Aquela histeria passou, mas como conseguimos desenvolver sabores muito bons, seguimos produzindo as paletas e vendemos aproximadamente 300 mil ao ano”, afirma Fábio.

Outra delícia refrescante que caiu nas graças do consumidor foi o açaí. Muito diferente da forma como é consumido na região norte e nordeste do Brasil, Fábio conta que compra a matéria-prima do Pará e em sua fábrica realiza a preparação do creme, que ganhou variações como zero açúcar e também com creme de avelã. “O açaí chegou a representar 40% das minhas vendas. Hoje diminuiu um pouco e o sorvete tradicional de massa segue fazendo sucesso”, conta. Entre os sabores mais populares, segundo o empresário, estão ninho trufado e as várias opções com chocolate.

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De pai para filho

Dia do Sorvete: Sorveterias de Sorocaba inovam nos sabores, mas mantêm perfil familiar
Cíntia e o marido Abel têm clientes fiéis, inclusive da Capital, e apostam sempre em novidades. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (19/9/2019)

As sorveterias são negócios familiares, que passam de pai para filho e é assim na já tradicional Sabor de Verão, no Jardim Santa Rosália e na recente loja da Dolci Gelatti, no Jardim América. As duas têm em comum a sua origem, o Estado do Paraná. No caso da Sabor de Verão, que inaugurou sua primeira loja em Apucarana, no norte paranaense em 1987, o preparo e a venda do sorvete teve sequência com Cintia Helena Camargo Fonseca e o marido, Abel Salvador Fonseca, ambos hoje com 47 anos

Já Paulo Henrique Barbieri, 52 anos, proprietário da Dolci Gelatti, conta que a primeira sorveteria da família surgiu na cidade de Assis Chateaubriand, na região oeste do Paraná, há 36 anos. “Meu pai sempre trabalhou na roça e com o dinheiro que economizou queria investir em algo para garantir mais conforto para os três filhos e então comprou uma sorveteria e a gente foi estudar como produzir um bom sorvete”, conta Paulo, que hoje dá continuidade ao legado familiar e conta com a ajuda da irmã Cláudia Barbieri, 45 anos.

A família se especializou nos gelatos, que na definição de Paulo Henrique, é um sorvete de massa gourmet, com produtos de qualidade. “O nosso sorvete de morango é um dos preferidos, assim como o de flocos, que desde o início já estava entre os mais vendidos.” Há também sabores exóticos, como o chamado unicórnio, que mescla na massa as cores azul, rosa e roxo e costuma ser muito pedido pelas crianças. O ambiente familiar, destaca Cláudia, fez a sorveteria já se tornar querida por muitos clientes em menos de um mês após a inauguração. “A gente busca acolher as pessoas e fazerem com que elas se sintam em uma sorveteria tradicional, mas com um produto delicioso e acessível”, afirma.

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Dia do Sorvete: Sorveterias de Sorocaba inovam nos sabores, mas mantêm perfil familiar
Cláudia e o irmão Paulo também deram continuidade ao legado familiar. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (19/9/2019)

Na Sabor de Verão, conta Cíntia, mesmo com mudanças de endereço, é possível encontrar clientes fiéis. “Algumas pessoas atravessam a cidade para saborear nosso produto e temos até clientes que viraram amigos, que viajam da capital para cá no fim de semana só para tomar nosso sorvete”, conta, feliz. Entre os sabores mais populares, destaca, o doce de leite que está liderando o ranking. “Nós produzimos o doce e depois transformamos em sorvete, então o sabor é maravilhoso.” Abel passa horas na cozinha da sorveteria fazendo as massas e os picolés e conta que a fabricação ocorre conforme a demanda na loja.

As duas sorveterias prezam por atender todos os perfis de clientes, e investem em conteúdos veganos e zero açúcar. Além dos sabores tradicionais, apostam frequentemente em novidade, como sorvete de pitaya, que encanta pela cor forte lilás, torta de maçã, graviola, entre outros. Além de fabricantes e vendedores, a família Barbieri e também a Fonseca revelam que adoram o alimento e diariamente consomem essa delícia gelada. “A gente vai produzindo e provando e é sempre um prazer tomar um sorvete”, revela Cíntia. “Eu sou fã assumido. Desde o processo de pesquisa de um sabor, até prová-lo como produto final, é pura satisfação”, finaliza Paulo Henrique.

Gosto e texturas foram aprimoradas por diferentes povos e culturas

De tempos em tempos surgem novidades nas formas e sabores do sorvete, mas essa iguaria refrescante já existe há mais de três mil anos. A história começa com os chineses, que misturavam neve com frutas fazendo uma mistura gelada e saborosa.

Esta técnica foi passada aos árabes, que logo começaram a fazer caldas geladas chamadas de sharbet. Mais tarde se transformaram nos famosos sorvetes franceses sem leite, os sorbets, que hoje atendem os consumidores intolerantes a lactose e também os veganos.

Dia do Sorvete: Sorveterias de Sorocaba inovam nos sabores, mas mantêm perfil familiar
A variedade de cores e sabores atrai uma legião de consumidores. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (19/9/2019)

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvete (Abis), a história também passa pela Grécia. Nos banquetes de Alexandre, o Grande, e nas famosas festas gastronômicas do imperador Nero, em Roma, os convidados já degustavam frutas e saladas geladas com neve.

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O imperador mandava seus escravos buscarem neve nas montanhas para misturar com mel, polpa ou suco de frutas. O gelo era estocado em profundos poços construídos pelo povo.

A grande revolução no mundo dos sorvetes, porém, de acordo com a Abis, aconteceu com Marco Polo, que trouxe do Oriente para a Itália, em 1292, o segredo do preparo de sorvetes usando técnicas especiais. Assim a moda dos sorvetes espalhou-se por toda a Itália.

Quando Catarina de Medici casou-se na França com o futuro Henrique II, entre as novidades trazidas da Itália para o banquete de casamento, estavam as deliciosas sobremesas geladas, as quais encantaram toda a corte. Já o grande público francês só teve acesso a estas delícias um século depois, quando Francesco Procópio abriu um café, em Paris, que servia bebidas geladas e sorvete tipo sorbet.

A partir disso os sorvetes se espalharam por toda a Europa e logo chegaram também aos Estados Unidos. O país foi o primeiro país a produzir em escala industrial, há quase 50 anos. Hoje, no mundo todo, quem mais fabrica sorvete são os americanos.

Dia do Sorvete: Sorveterias de Sorocaba inovam nos sabores, mas mantêm perfil familiar
Ao longo dos anos, o preparo foi ganhando complementos. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (19/9/2019)

No Brasil, o sorvete ficou conhecido em 1834, quando dois comerciantes cariocas compraram 217 toneladas de gelo, vindas em um navio americano, e começaram a fabricar sorvetes com frutas brasileiras. Na época, não havia como conservar o sorvete gelado e, por isso, tinha que ser tomado logo após o seu preparo.

Um anúncio avisava a hora exata da fabricação. O primeiro anúncio apareceu em São Paulo, no dia 4 de janeiro de 1878, contendo a seguinte mensagem: “Sorvetes – Todos os dias às 15 horas, na Rua Direita, nº 44”.

Atualmente, o sorvete se popularizou e pode ser encontrado em vários pontos e praticamente todas as cidades do País, destaca Eduardo Weisberg, presidente da Abis. “Hoje o Brasil conta com oito mil empresas formais ligadas à produção e comercialização de sorvete”, afirma. O setor também gera 75 mil empregos diretos e 200 mil indiretos, tendo um faturamento anual acima de R$ 13 bilhões. (Larissa Pessoa)

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