Quer receber as principais Notícias de Salto e região pelo Facebook Messenger? Inscreva-se agora.
Pesquisadora da UFSCar afirmam que fragmentos tem mais de 266 milhões de anos
Dentre os fósseis, os pesquisadores encontraram dentes de peixes e de tubarões. Crédito da foto: Divulgação

Já parou para a imaginar como era a vida há mais de 266 milhões de anos, antes mesmo da era dos dinossauros? Fósseis paleontológicos com esta idade foram encontrados na região de Itapetininga e vão ajudar a contar história do local. Ossos de peixe, dentes de tubarão, plantas extintas e até rochas vulcânicas foram retirados de um barranco e serão catalogados por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Os fragmentos foram localizados em um trecho da rodovia Raposo Tavares (SP-270), entre Angatuba e Campina do Monte Alegre, que passa por obras de duplicação. A localização ocorreu há cerca de três meses e a retirada foi concluída no início de outubro. Durante o trabalho dos pesquisadores, que durou quatro dias, a obra foi interrompida no trecho. Posteriormente, no entanto, será rebaixada para as adequações da pista.

Conforme a paleontóloga Mírian Pacheco, que é professora da UFSCar Sorocaba e coordenou os trabalhos, foram retirados centenas de blocos de rocha do local. Em cada um desses blocos, existem milhares de fragmentos de fósseis. O material foi encaminhado para o campus Lagoa do Sino da UFSCar, em Buri, e será processado. Como o acervo é extenso, o trabalho de separação dos fósseis pode levar anos, segundo a pesquisadora.

Força-tarefa trabalhou na retirada dos fósseis da rocha. Crédito da foto: Divulgação

Região rica

Mírian explica que a região de Itapetininga é rica em fósseis e faz parte de uma unidade geológica chamada Corumbataí. Na rocha onde estavam os fósseis, cada camada corresponde a um tipo de ambiente do passado. A localização de vestígios de tubarões e outros peixes indicam, por exemplo, atividade marinha no local. “São fragmentos de uma época em que os continentes tinham uma configuração bem diferente da atual”, cita.

De acordo com a pesquisadora, esse tipo de descoberta é importante porque ajuda a contar a história da vida e as transformações pelos quais o planeta passou. O material, inclusive, pode ser tombado. “É provável que os fósseis sejam incluídos no acervo paleontológico da universidade e que seu estudo vire objeto de iniciação científica dos alunos”, acrescenta.

Os pesquisadores tiveram quatro dias para remover os fragmentos. Crédito da foto: Divulgação

Mutirão

O encontro dos fósseis ocorreu depois que a paleontóloga, que faz pesquisas na região desde 2015, foi avisada dos fragmentos por um morador. Como o local está em obras, Mírian solicitou ao Departamento de Estradas e Rodagem (DER) um prazo para retirar os fósseis antes que a área fosse rebaixada. O trabalho foi autorizado entre os dias 2 e 6 de outubro e, nesse período, os engenheiros suspenderam a intervenção no trecho.

A pesquisadora, então, montou uma equipe de estudantes da área e se dirigiu até o local. Como o tempo era curto, o grupo fez um mutirão e conseguiu retirar parte dos fósseis. Ela conta que usou recursos próprios no trabalho e, por não ter equipamentos mais específicos para o resgate paleontológico, não foi possível retirar o material que estava profundo na rocha.

Também foram encontrados icnofósseis, que são rastros de espécies nas rochas. Crédito da foto: Divulgação

Mais prazo

Um relatório sobre o resgate foi elaborado e encaminhado à Agência Nacional de Mineração (AMN), que já havia sido notificada sobre o caso. Segundo a professora, o documento explica sobre o material já retirado e o que restou no local. “O ideal, nesse caso, é que seja contratada uma empresa especializada, que tenha equipamentos capazes de retirar blocos maiores de rocha com o restante dos fósseis”, destaca.

A AMN foi questionada sobre o relatório e se pretende dar encaminhamento à coleta de fósseis no local, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta matéria. A reportagem também questionou o DER se o local em que os fragmentos se encontram já foi rebaixado. Porém, o órgão se limitou a dizer que “o trecho em questão foi paralisado até que o material encontrado seja resgatado e retirado para posterior retomada das obras”.

O grupo removeu do local centenas de blocos com fragmentos de fósseis. Crédito da foto: Divulgação

A obra

Conforme o DER, as obras de modernização da rodovia seguem em ritmo normal, de acordo com o cronograma pré-estabelecido. As intervenções entre Piraju e Ourinhos, dos quatro primeiros lotes, foram iniciadas em abril de 2018; já entre Itapetininga e Piraju, dos quatro últimos lotes, começaram em agosto de 2018 e devem ser finalizadas em agosto de 2020.

Estão previstas a duplicação de 50,4 quilômetros, implantação de 122,7 kms de terceiras faixas, recuperação de 153, 5 kms de pistas simples e acostamentos e revitalização da sinalização. O DER informa que implantará também 21 novos dispositivos de acesso e outros 14 existentes receberão melhorias. Serão construídas ainda três novas passarelas e um viaduto, além da reforma de pontes existentes.

Artigos relacionados
Carregar mais por - redação
Carregar mais em Região

Deixe uma resposta

Leia também

Após denúncia, área que abrigava Aeroclube recebe manutenção

Aeronaves estacionadas irregularmente foram retiradas do local que pertence à Prefeitura. …