Na primeira semana em que Itu retornou à fase vermelha do Plano São Paulo, determinado pelo Governo do Estado, o JP voltou a conversar com os comerciantes da cidade a respeito do assunto.

Proprietário de uma ótica situada na Rua Santa Rita, no Centro de Itu, Edson Silveira Leite, que havia retomado suas atividades com os devidos cuidados, recorda o período de flexibilização da quarentena. “Correu tudo bem, com os clientes respeitado as regras, estava bom para todos”.

Com a nova pausa, Edson, embora tenha traçado um planejamento, se preocupa. “Agora com essa nova paralisação vamos atender no emergencial de acordo com a segurança de todos, mas com certeza haverá queda no faturamento pois acredito que vai se estender ainda por muito tempo (a paralisação)”.

Daniela Cristofoletti Giannetti, sócia-proprietária de uma loja de roupas e acessórios da Floriano Peixoto, também falou. “O fechamento do comércio pela segunda vez no ano é preocupante para os comerciantes e seus funcionários. Porém, acho que todos temos de estar empenhados em reduzir o contágio do vírus em nossa cidade e não há outra forma além de buscar conciliar as medidas impostas pelo governo com algum grau de atividade econômica”.

A comerciante relata que, apesar da pausa, está procurando se reinventar. “Temos buscado manter os nossos clientes satisfeitos por meio do atendimento online. Essa tem sido a nossa forma de atender clientes e manter empregos ao mesmo tempo em que contribuímos para o enfrentamento da pandemia”.

A reportagem também ouviu durante a semana a Associação Comercial e Industrial de Itu (ACII) que, por meio de seu presidente, Murilo Tuvani, afirma que assim que ficou sabendo que a região havia retornado à fase vermelha, a entidade divulgou em suas redes sociais, e-mails e WhatsApp e site.

“Com a flexibilização, percebemos que houve um movimento maior no início do mês de junho. Após o Dia dos Namorados, o movimento foi caindo, ficando concentrado nos bancos”, explica Tuvani, que ao ser questionado sobre possíveis encerramentos de atividades de empresas no período da pandemia, comenta que “ainda não é possível afirmar que houve fechamento de estabelecimentos comerciais por causa da pandemia”.

Tuvani relata ainda que, em junho deste ano, a ACII contabilizou a perda de oito empresas associadas, “mas somente uma empresa teve como motivo sua extinção. As demais estão reduzindo seus custos”.

Fiscalização

Sobre a fiscalização dos comércios e demais estabelecimentos impossibilitados de atender presencialmente, a Prefeitura de Itu informa que, até quinta-feira (02), foram notificados 150 estabelecimentos, com os fiscais atuando em diversos pontos da cidade, não havendo multas até aquele momento.

Já a Polícia Militar destaca em nota, por meio do 50º Batalhão de Polícia Militar do Interior, que “fiscaliza o cumprimento de todas as Leis, Decretos e demais normas, atuando ainda no campo orientativo, cabendo às autoridades sanitárias e de saúde de cada município também fiscalizar e autuar os comerciantes que não estiverem respeitando as normas”.

O 50º BPMI acrescenta ainda que “essa orientação à população ocorre pessoalmente e através de áudios transmitidos pelas viaturas durante o patrulhamento preventivo e pontos de estacionamento, em filas, comércios ou vias públicas, objetivando alertar toda a sociedade no sentido da colaboração e que estão sujeitos a responsabilização, multa e até a interdição do estabelecimento comercial”.

A PM relata ainda que, desde o início da pandemia até 29 de junho, recebeu mais de 100 ligações com denúncias de aglomerações e comércios não-essenciais abertos, com todos os casos resolvidos no local.

Ituanos falam sobre a nova parada

O Periscópio ouviu também populares a respeito do novo fechamento do comércio. Confira a opinião de cada um deles>

Beatriz Muracami Araújo, 19 anos, estudante de Direito

“O fechamento do comércio é uma faca de dois gumes. A vida é um direito constitucional e a garantia da saúde da população é um dever do Poder Público. Em tempos de Covid-19, o direito à saúde prevalece sobre o direito de ir e vir, demonstrando que o interesse público é superior ao interesse particular nessa situação e tal fato, concretiza a garantia dos direitos citados.  Cada um tem seu livre arbítrio, mas esse livre arbítrio só é válido quando se há respeito e empatia ao próximo. A meu ver, a reabertura do comércio apenas se dará de forma efetiva quando as pessoas se isolarem, quando elas entenderem que a abertura não significa que a pandemia acabou ou que podem sair para passear. Se todas as pessoas colaborarem nós conseguiremos avançar para uma nova flexibilização da atividade econômica, garantindo o direito à vida e ao trabalho, caso contrário, estaremos fadados ao fracasso e nos encontraremos nos aumentos percentuais das ocupações das UTI’s dos hospitais e da economia.”

Demilson Florentin , 47 anos, fisioterapeuta

“Eu acho uma crueldade o fechamento absoluto do comercio. Fiscaliza o uso de máscara sistematicamente e deixa o comercio trabalhar parcialmente, no arranjo que estava. Acho ações desumanas com aqueles (patrões e funcionários) que precisam trabalhar”

Maria Gabriela Moraes Ricci, 31 anos, esteticista

“Opinar sobre a abertura ou fechamento do comércio é muito delicado. Ao mesmo tempo em que a economia tem que viver e continuar, temos que priorizar a vida. Nesse momento, opto pelo fechamento do comércio, mas acredito que antes de aplicar multa pelo não uso de máscara ou por qualquer outro motivo, deve-se investir em orientação para a população sobre a importância dos cuidados. Todos queremos sair, passear e viver.Principalmente viver”.

Estevam Corrêa da Silva Guimarães, 32 anos, Bombeiro Civil

“Sou a favor do fechamento, não pelos comerciantes que estavam apenas trabalhando pelo seu sustento, mas por algumas pessoas que não souberam lidar com a flexibilização, abusando em certos momentos, fazendo com que as pessoas que estavam seguindo as normas ou apenas trabalhando, sejam mais uma vez prejudicadas por tal ato imprudente de alguns”.

Valdemir Borsari, 66 anos, aposentado

“Não sou favorável. Os comerciantes estão sem saída. Como manter em dia aluguéis, compromissos com fornecedores, funcionários e ainda o próprio sustento, se não tem como trabalhar? Deveria estar funcionando com medidas de segurança (máscara, álcool em gel, distanciamento ) .Creio que será tão ruim , quanto o Covid, a falência e fechamento do comércio. Até porque, não sabemos até quando vai perdurar essa pandemia.”

Célia Regina Caetano, 56 anos, professora

“Sou a favor da abertura, pois acho que quem vai a rua é porque precisa. E quem gosta de ‘bater perna’, sai, com o comércio aberto ou fechado. Quem tem condições compra pela internet, e quem não tem precisa sair. Há pessoas que mesmo com o comércio aberto não sai.”

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