Zilá Gonzaga morreu aos 87 anos em Sorocaba — Foto: Arquivo Pessoal

Um apartamento com pilhas de discos de vinil espalhados em todos os cantos é uma das lembranças que o sobrinho de Zilá Gonzaga, Hugo Rafael, tem da radialista que fez história em emissoras de rádio da região de Sorocaba (SP). A voz que marcou gerações por mais de 70 anos continua ecoando na memória dos fãs e familiares de Zilá.

A radialista morreu aos 87 anos em 13 de maio deste ano por complicações de um câncer. Conhecida como a “rainha do rádio”, Zilá trabalhou a maior parte da carreira na Rádio Cacique. Mesmo com a pandemia, ela apresentava um programa dedicado ao cantor Roberto Carlos.

Ao G1, o vocalista do grupo Saboô da banda The Giant Void, Hugo Rafael, contou os últimos momentos que se recorda da tia, que sempre esteve muito presente na vida dos familiares.

“Ela não teve filhos, mas fez questão de estar por perto dos filhos da família. Sempre telefonava e perguntava o que a gente queria de presente. Ela colecionava discos de vinil e lembro da primeira vez que me deparei com algo tão grandioso, de entrar no apartamento e ver.”

A presença de Zilá na vida de Hugo também o inspirou na carreira artística e trouxe conhecimentos sobre a área, já que a radialista tinha muito contato com artistas e eventos culturais. Desde pequeno ele escutava a voz de Zilá na rádio e isso sempre foi algo que marcou para ele.

Elegante, Zilá gostava de usar salto alto, brincos e colares. A voz da radialista era inefável e aproximava os ouvintes que a consideravam como uma amiga, mesmo aqueles que apenas a conheciam pelo rádio.

“Era a pessoa mais forte da família, passava essa força, essa postura e segurança no jeito que falava. Até a pessoa mais forte vai embora. Era uma pessoa muito alegre, que estava sempre pronta a ajudar todo mundo.”

Radialista Zilá Gonzaga era conhecida como a ‘rainha’ do rádio — Foto: Câmara de Sorocaba

A sobrinha de Zilá, Leila Maria Gonzaga, de 66 anos, conta que ela sempre foi muito querida pelos fãs, tanto que um grupo intitulado “As radiais” se reunia apenas para ouvir-la. O carinho era tanto que Zilá participava dos almoços com as ouvintes.

“Era amor puro entre elas, uma relação quase familiar com muitas delas. As radiais nos tratavam como se fossemos da família delas e, na verdade, elas eram totalmente da nossa família também. A Zilá era querida por todos, por onde ela passava ganhava mais um amigo.”

Desde pequena, a radialista tinha o sonho de ser cantora. Na época, o pai dela não aceitava que a filha seguisse carreira artística por ser mulher. Francisca Gonzaga era o nome de registro dela, que apenas começou a usar “Zilá Gonzaga” para que o pai não descobrisse que ela estava na rádio.

Estudantes de jornalismo de Sorocaba fizeram um documentário sobre a vida e carreira de Zilá em 2016. A radialista contou, na época, detalhes sobre os primeiros desafios que enfrentou na profissão.

Zilá nasceu em Porto Feliz (SP). Ela estreou na Rádio Clube de Sorocaba, onde ela teve o primeiro contato com uma emissora. Cantou durante dois anos sem remuneração. Depois, Zilá pediu um emprego na Rádio Cacique e começou a trabalhar como faxineira.

Documentário de estudantes de Sorocaba conta a vida e carreira de Zilá Gonzaga — Foto: Reprodução/Youtube

Após receber o primeiro salário, o pai de Zilá soube que ela era a dona da voz que ele ouvia no rádio e não a impediu de continuar. Aos poucos, ela conquistou espaços na rádio como apresentadora e também escreveu e apresentou telenovelas.

A sobrinha de Zilá, Leila, relatou ao G1 que Zilá ficou muito emocionada quando viu o documentário dos estudantes em homenagem à ela.

“Nesse dia eu a acompanhei desde cedo e ajudei ela a se arrumar para o evento. Ela estava muito fragilizada pela doença, chorou muito, ficou muito grata e fez muitos agradecimentos. Muitos amigos foram se apresentando e algumas radiais estavam presentes também.”

Ela também foi homenageada em 2005, quando recebeu o título de “Cidadã Sorocabana”, por meio de uma iniciativa do então vereador Francisco Moko Yabiku.

Zilá durante um encontro com as radiais em Sorocaba — Foto: Arquivo Pessoal

‘Era majestosa e generosa’

Leila conta que sempre acompanhou a tia e que também já trabalhou como discotecária na Rádio Cacique. Ela teve a oportunidade de acompanha-la de perto no trabalho e viveu momentos inesquecíveis.

“Graças a ela eu vi o mar pela primeira vez e foi no Rio de Janeiro. A Zi gostava de alegria, gostava de gente feliz. Eu considero a Zi minha segunda mãe. Eu sempre agradeci em vida por tudo que ela me fez. Ela sabia o quanto eu a amava e eu vou amá-la para sempre. Ela vive em meu coração.”

Conhecer artistas, frequentar shows e carnavais, além de provar novos sabores que a culinária de cada cultura tem a oferecer são algumas das lembranças de Leila com a tia. Para ela, muito do que aprendeu e viveu foi proporcionado por Zilá.

“Ela gostava muito desse contato com os fãs e o público em geral, por isso, esse título “rainha”. Ela era soberana, majestosa e generosa ao mesmo tempo.”

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