Histórias de sucesso muitas vezes se confundem com trajetórias de superação e resiliência. Não por acaso muitas delas já se tornaram filmes e conquistaram crítica e público. No caso de Cleusa Maria da Silva, fundadora da Sodiê Doces, sua história rendeu uma novela em horário nobre na Globo. A confeiteira e empresária Maria da Paz, personagem da atriz Juliana Paes em “A Dona do Pedaço”, folhetim das 21h, tem forte inspiração em Cleusa.

“Uma equipe da Globo nos procurou há dois anos dizendo que estava buscando material para uma personagem. Eles conheceram uma das lojas da Sodiê no Rio de Janeiro e nós autorizamos a referência.”

Ex-boia-fria natural de Salto (SP), Cleusa também foi empregada doméstica e começou de forma simples, vendendo fatias de bolo, como a personagem Maria da Paz. Depois de um intervalo de 20 anos, surge a empresária bem sucedida. “Eu também levei 20 anos para dar essa virada. Começar do nada e chegar aonde eu cheguei, nem em sonho pensei que isso fosse acontecer.”

Foram dez anos com apenas uma loja, a matriz em Salto, até abrir a primeira franquia, em São Paulo. Daí, em dois anos, Cleusa já tinha 50 franqueados. E a vida real superou a ficção. A marca Bolos da Paz, da novela, está prestes a abrir a 23ª confeitaria. Já a Sodiê acumula 314 lojas em 13 Estados. 

Destes endereços, quatro tem Cleusa na sociedade, o resto é franquia. Para abrir uma franquia Sodiê, marca que faturou R$ 290 milhões em 2018, é necessário investimento de R$ 450 mil (sendo R$ 60 mil de taxa de franquia).

A próxima inauguração de Cleusa, com previsão para 4 de julho, será a da primeira loja internacional, em Orlando (EUA), que custou a ela e a um sócio o investimento de cerca de R$ 2,8 milhões (US$ 600 mil). A ideia é abrir, 90 dias depois dessa inauguração, o franchising também nos EUA.

“Se dependesse apenas de mim, levaria mais 10 anos (para abrir fora). Ainda temos espaço para crescer aqui, principalmente no Sul e no Nordeste”, diz ela, que analisa também o mercado em Portugal, em cidades como Lisboa e Porto.

Para quem pretende empreender fora do País, a empresária alerta. “A gente gosta de falar da nossa burocracia. Mas alguém já foi empreender lá fora para saber? Você pode abrir uma empresa em oito horas, mas leva oito meses ou mais para levantar as portas. Aqui eu abro uma loja em 45 dias.” 

Além de se preparar para receber todas as inspeções, Cleusa diz que o empreendedor precisa seguir as normas à risca. “Se o agente acha que uma simples tomada não está de acordo, sua loja não vai abrir.”

Em busca de conhecimento

O início, em 1997, não foi fácil. Cleusa não tinha conhecimento sobre o mercado, o público-alvo, como organizar o financeiro, o que era o franchising. “A primeira vez que me entendi como empreendedora foi na fila do banco, quando me chamaram dessa forma”, lembra ela, que aconselha futuros empreendedores a irem atrás de conhecimento.

“Hoje tem muito conteúdo na internet. E com um celular na mão, você pode divulgar e vender o seu produto de casa. Além disso, há vários projetos voltados ao empreendedorismo e empresas que investem em quem quer começar. Na minha época, isso não existia.”

Após conquistar certa calmaria após 20 anos de trajetória, Cleusa conta ter dado um passo ousado (ou “quase errado”, em suas palavras) em 2017. Em um terreno próprio em Boituva (SP), ela abriu uma fábrica de salgados com 1,3 mil m², para produzir cerca de 50 mil itens por dia. A ideia era criar uma linha com 30 sabores para abastecer todas as lojas Sodiê do País. 

A ideia deu certo, mas só há seis meses não dá prejuízo. “Eu montei uma estrutura de indústria e coloquei nela um processo artesanal porque quero que esse produto chegue na Sodiê com a mesma qualidade dos bolos. Mas eu não tinha nenhuma experiência com indústria”, revela.

Depois de se arrepender várias vezes, Cleusa acha que o passo foi necessário para fortalecer seu maior projeto atualmente: a sucessão da presidência para seu filho, Diego Rabaneda. “Deixei toda a gestão da fábrica de salgados na mão dele. É um processo de sucessão que ele quer que leve dez anos e eu cinco. Já se passaram dois.”

A sustentabilidade de uma empresa familiar para além do criador é algo comum no empreendedorismo, mas não é nada simples. “Às vezes temos herdeiros que não gostam e não querem participar. O conselho que eu dou é que, quando você tiver um filho, leve-o para a empresa muitos anos antes, décadas. É um processo demorado.”

Cleusa ainda ressalta que é preciso delegar e acreditar que a empresa pode sobreviver sem o criador. “Os próprios franqueados cobram essa sucessão. Quem investe em um negócio pensa nele a longo prazo. Qual credibilidade seu negócio terá se os franqueados não veem a continuidade dele lá na frente, sem você?”

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