Submersa desde os anos 1970, a antiga cidade de Rubineia (a 632 km de São Paulo), que deixou de existir com o surgimento do reservatório da hidrelétrica de Ilha Solteira, voltou a ter ruínas visíveis nos últimos dias devido à seca no rio Paraná.

Pilares da plataforma de embarque da antiga estação ferroviária Presidente Vargas, que integrava a Estrada de Ferro Araraquara, e partes de uma antiga serraria podem ser vistos após o rio recuar cerca de 200 metros em sua largura e ficar 5 metros mais baixo que o habitual.

O reservatório da hidrelétrica de Ilha Solteira está com 0% de seu volume útil, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS), o que permitiu o ressurgimento das ruínas.

“Grande parte da cidade antiga foi demolida para que os materiais fossem usados na cidade nova, então não sobraram tantas coisas”, afirmou Evandro Santos, secretário de Turismo de Rubineia.

“Mas, além dos pilares, também estão lá o coxo que tratava dos animais e a antiga estrutura de caixa d’água da estação, onde era feita a higienização dos vagões. Como era o final da linha férrea, era preciso higienizar para fazer a viagem de volta à origem.”, completa o secretário.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Distante cerca de dois quilômetros do atual núcleo urbano, Rubineia encolheu desde que a cidade foi submersa, segundo a prefeitura.

De cerca de 10 mil habitantes existentes na década de 1970 -ela foi alagada em 1973-, hoje há 3.191, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já que milhares de pessoas optaram por ir embora.

Da antiga cidade sobraram um ginásio escolar, hoje transformado em pousada, e o cemitério local. “A cidade ia deixar de existir. Governo e Cesp [gestora à época] não queriam construir uma nova cidade, mas a prefeitura brigou e acabou comprando uma área para se fazer a nova cidade. Ela doava às famílias os terrenos e elas construíam. Por isso, retiraram muita coisa da cidade antiga e pouco restou. A maioria [do que ficou submerso] é alicerce.”

Rubineia é mais uma cidade que teve áreas alagadas para a construção de hidrelétricas, assim como ocorreu em lugares como Rifaina (SP), também nos anos 1970, para o surgimento do reservatório da hidrelétrica de Jaguara.

No Paraná, as lendárias Sete Quedas também deixaram de existir em 1982, para a formação do lago de Itaipu, o que até hoje é lamentado por moradores de Guaíra, na fronteira com Salto del Guairá, no Paraguai.

É a segunda vez que as ruínas ficam aparentes em Rubineia. A primeira foi na crise hídrica de 2014, quando a água ficou 3 m abaixo do registrado atualmente, o que deixou aparente praticamente tudo o que restou da antiga cidade. A expectativa da administração é que isso se repita agora.

O lago de Ilha Solteira, maior hidrelétrica da bacia do rio Paraná, atingiu o limite mínimo para operação da hidrovia Tietê-Paraná, estipulado em 323 m acima do nível do mar, o que não ocorria justamente desde 2014/2015.

Em condições normais, diz o ONS, a geração de energia na usina seria comprometida, mas essa restrição foi flexibilizada e o operador pode levar o nível até 314 metros. Nesta quarta-feira (6), a água está em 320,22 m acima do nível do mar.

Artigos relacionados
Carregar mais por - redação
Carregar mais em Notícias

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

COLETIVO JOVEM ABRE INSCRIÇÕES PARA ÚLTIMO CICLO DO ANO

Projeto, que conta com o apoio da Sorocaba Refrescos, busca conectar jovens de Sorocaba e …