Lifan X60 estreou no Brasil em 2013 e ganhou opção de câmbio CVT em 2017 Divulgação/Lifan

Nesta quarta-feira (14), a Comissão de Valores Mobiliários da China anunciou que a Lifan dará início a um processo de recuperação judicial. Em nota emitida via Bolsa de Valores de Xangai, o órgão informou também a investigação de supostas irregularidades cometidas nos informes a acionistas e a rescisão de uma das executivas do grupo. Caso a recuperação falhe, a Lifan poderá ter falência decretada.

A decisão veio após uma reunião realizada na última terça-feira (13), com participação de 79 credores da empresa. O Quinto Tribunal Popular Intermediário de Chongqing condenou a Lifan à recuperação judicial, sob risco de ser declarada falida.

Quer ter acesso a todos os conteúdos exclusivos de Quatro Rodas? Clique aqui e assine por apenas R$ 8.90

Ainda que a empresa conclua sua recuperação, será necessário que ela atinja índices mínimos para que não seja obrigada a fechar seu capital e excluída da Bolsa.

Logo em seguida, outro comunicado deu conta, sem entrar em detalhes, de que a fabricante de modelos como o X60 será investigada por divulgação de informações ilegais. Completando o dia agitado, a supervisora Lan Tingqin renunciou à sua cadeira no Conselho que supervisiona a empresa.

X80 é um dos poucos modelos ainda à venda no Brasil Christian Castanho/Quatro Rodas

O site Rusbankrot, especializado em análises de falência, afirmou, em junho, que a Lifan devia R$ 2,5 bilhões a fornecedores. De acordo com os analistas russos, uma das saídas mais prováveis seria a venda de vastos terrenos que a holding possui, incluindo a área da principal fábrica do grupo, na cidade chinesa de Chongqing.

Essa e outras decisões cruciais deverão passar pela jovem Annie Yin, de apenas 25 anos. A nova chefe da Lifan é neta do fundador e então presidente Yin Mingshan, que convocou-a de volta da Califórnia, onde ainda cursa faculdade, para assumir a empresa que comanda desde a fundação, em 1992.

Annie Yin precisará reverter a queda nas vendas no mercado local, que foram de 111 mil unidades em 2017 para apenas 19 mil, no ano passado. A derrocada da Lifan é quase tão rápida quanto sua ascensão de uma oficina mecânica à maior fabricante privada de motos da China em apenas 12 anos.

Ao contrário de seu avô, Annie Yin é discreta e muito raramente aparece na mídia Chongqing Morning Post/Reprodução

No Brasil a situação é ainda pior, com apenas 25 veículos emplacados em 2020. Desde o início da pandemia, os meses de abril, maio e agosto contabilizaram apenas uma venda, enquanto em junho nenhum Lifan foi emplacado no território nacional.

Continua após a publicidade

O grande sucesso das motos, principalmente na Ásia e África, estimulou o lançamento, em 2005, do sedan 520, com motor Tritec. Daí, a Lifan expandiu seu escopo e começou a fabricar SUVs, minivans, caminhões e elétricos, além de investir em um time de futebol da primeira divisão local.

Escassez

QUATRO RODAS conseguiu contato com 11 das 14 concessionárias listadas no site da Lifan. Dessas, seis não possuem nenhum veículo 0 km à disposição. Nas outras, há apenas uma ou duas unidades disponíveis, sempre ano/modelo 2018/2019. Boa parte delas se mantém como lojas multimarcas. 

Todos os concessionários contatados, assim como o setor de vendas da sede, em Salto (SP), negaram qualquer rumor de falência ou saída da marca do Brasil. Questionados sobre a escassez de carros, os vendedores culparam a pandemia.

A fábrica uruguaia da Lifan está inoperante desde o início de 2019, após concluir a produção do primeiro – e único – lote do X80, um SUV de sete lugares. Em agosto do mesmo ano, a marca se desfiliou da Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa).

O setor de vendas de Salto confirmou que clientes que comprarem as poucas unidades novas à venda terão atendimento pleno, ao menos enquanto durar a garantia. Não houve pronunciamento sobre os informes da Bolsa de Valores de Xangai.

Presença conturbada

Lifan 320
Lifan 320 marcou o início das operações da marca no Brasil Divulgação/Lifan

A Lifan estreou no Brasil em 2010 com o hatch 320 (conhecido pela semelhança com o Mini Cooper) e o sedã 620, em parceria com a Effa Motors. O acordo entre as partes foi rompido em 2012 e em 2013 a operação brasileira se tornou subsidiária da matriz chinesa, que está no controle das operações desde então. 

Após o fim da produção de automóveis no Uruguai, em fevereiro de 2019, a Lifan passou a considerar a importação de novos carros diretamente da China. Mas isso não aconteceu.

Não pode ir à banca comprar, mas não quer perder os conteúdos exclusivos da Quatro Rodas? Clique aqui e tenha o acesso digital.

Continua após a publicidade

Artigos relacionados
Carregar mais por - redação
Carregar mais em Notícias

Deixe uma resposta

Leia também

Confira entrevista com Capitão Dias, candidato a prefeito de Itu

O Periscópio realizou entrevistas com todos os candidatos a prefeito de Itu nas …