A Polícia Civil prendeu na quinta-feira (23) um casal suspeito de agredir e torturar dois meninos, de 11 e 14 anos, em Araçariguama. O caso é investigado desde maio deste ano. Os presos são a mãe, de 35 anos, e o padrasto, de 48, das vítimas. A mulher confessou que as agressões eram frequentes. 

A polícia tomou conhecimento da violência contra os garotos no dia 2 do mês passado. Segundo o boletim de ocorrência, na ocasião, a escola onde o adolescente estuda acionou o Conselho Tutelar após ele ter faltado. Como o jovem já havia aparecido com hematomas algumas vezes, a ausência dele preocupou a instituição.

No mesmo dia, dois conselheiros foram até a casa da família. Lá, uma servidora encontrou a vítima com diversos machucados pelo corpo, tanto recentes, como anteriores. Por isso, denunciou o caso à delegacia da cidade. A Polícia Civil registrou o BO e imediatamente chamou toda a família ao Distrito Policial (DP), para averiguar a situação. No dia seguinte (3 de maio), abriu inquérito para investigar o caso.   

A suspeita tem outros cinco filhos, sendo três garotos, de 3, 8 e 11 anos, um bebê de 5 meses e uma jovem de 18 anos. Com exceção do neném, os demais são frutos de outro relacionamento dela. Os meninos vivem com a mãe e o padrasto, enquanto a menina mora com a avó materna, em outra cidade.

No DP, policiais constataram que a criança de 11 anos também estava com vários ferimentos nas costas e um na orelha. As outras não apresentam sinais de agressão. Mesmo assim, a mulher teve de levar todas ao hospital, para a realização de exames. Um médico comprovou tratarem-se de lesões e cicatrizes nos corpos dos dois meninos. Ainda segundo o registro policial, eles relataram serem agredidos pelo padrasto constantemente, com mangueira, cinto, pedaço de pau e tapas.

Conforme o documento, inicialmente, a mãe negou essa informação e disse que o marido “nunca bateu em seus filhos”. Ela atribuiu as agressões apenas a si. Porém, novamente, as vítimas reafirmaram o seu relato. A mulher, então, mudou sua versão e confirmou o envolvimento do esposo. Falou, ainda, que batia nos meninos apenas com tapas, mas nunca havia os machucado. Já o homem, de acordo com ela, realmente usava mangueira e cinto. A vítima mais nova havia, inclusive, apanhado três dias antes da denúncia. 

A suspeita alegou que batia nos filhos “porque não tem paciência”. “Indagada por qual motivo ela e seu marido agridem as vítimas, diz que porque eles a deixam nervosa e seu marido agride seus filhos por nada”, cita o BO.

Problemas

Segundo contou a mulher à polícia, o adolescente sofre de ataques epiléticos e crises convulsivas, bem como é hiperativo. Ele faz tratamento desde os 5 anos, com ingestão de medicamentos fortes. O outro garoto tem dificuldade de aprendizagem.

Prisões

A polícia já havia pedido à Justiça a prisão preventiva (sem prazo determinado) do casal no dia 6 de maio. Contudo, o mandado só foi expedido na quinta-feira (23). A mulher foi capturada na empresa onde trabalha, na Vila Nova, e o homem, em casa, no Jardim Brasil. Ela foi levada para a Penitenciária Feminina de Votorantim, e ele, ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Sorocaba.

Se condenados, ambos vão responder por tortura e lesão corporal. A pena para o primeiro crime é de dois a oito anos de prisão. Já para o segundo, varia de três meses a 12 anos de reclusão, a depender da gravidade da lesão.

Todos os filhos foram retirados da família no dia 2 de maio, data da denúncia. Eles ficaram algumas semanas em um abrigo e, depois, foram encaminhados para a avó materna, com quem estão atualmente. 

Outros casos

Outros casos semelhantes ocorreram recentemente na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). No dia 2 de maio, o Conselho Tutelar de Itu recebeu denúncia sobre um casal suspeito de maltratar e torturar o próprio filho, de 11 anos. O pai e a mãe da criança foram quatro dias depois, em 6 de maio, na cidade de Uberlândia, Minas Gerais. 

No dia 9 dezembro de 2021, a Polícia Civil e o Conselho Tutelar de São Roque resgataram três irmãos, de 4, 7 e 11 anos anos, que eram agredidos e torturados por um casal de tios. As crianças viviam com os parentes porque a mãe perdeu a guarda após também agredi-las.

O menino mais velho afirmou que era obrigado pelo tio a trabalhar em um fábrica de calçados, em condições análogas à escravidão. Ele sofria punições quando demorava para entregar a produção. Teve uma unha arrancada, uma das pernas perfurada por um tiro de arma de chumbinho e dormia no chão, com apenas uma coberta. Já a menina mais nova relatou ter ficado por horas de castigo dentro de uma geladeira, várias vezes. As vítimas ainda eram trancadas em cômodos da casa, sem comida, água e acesso ao banheiro. Os suspeitos seguem foragidos. 

 

 

 

 

 

 

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