Dois pontos com esgoto in natura, ou seja, sem tratamento, foram localizados pela reportagem do jornal Cruzeiro do Sul na terça-feira (6). Um dos locais é no bairro Portal do Éden. O segundo é no quilômetro 82 da rodovia Castelo Branco, e também estaria recebendo dejetos provenientes de Itu. A cidade possui, na região dos descartes, uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) inaugurada em 2018, mas que, aparentemente, está inoperante.

O primeiro ponto de descarte irregular fica nas ruas José Benedito de Moraes e Inácio Silveira de Moraes. Segundo os moradores do bairro Portal do Éden, o córrego desce sentido ETE Pirajibu e continua até atingir o rio Pirajibu. Além de muito lixo e água com coloração escura, o odor característico de esgoto é bastante forte ao longo do pequeno córrego.

Exceto pela falta de sacolas e garrafas pet, a situação no quilômetro 82 da rodovia Castelo Branco é parecida. Só que o odor é ainda mais intenso. Lá, há o curso do córrego Tapera Grande, um dos braços do rio Pirajibu, a poucos metros da rodovia. Conforme relatos, o riacho tem vários pontos de descarte de dejetos. Ali, o esgoto seria proveniente do bairro Pirapitingui.

ETE parada

Próximo do córrego do bairro Portal do Éden, há uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Ela fica próxima de uma fazenda, quase na divisa de município com Sorocaba. A reportagem apurou que nenhuma atividade relacionada ao tratamento de esgoto estava sendo realizada no local. Além de não possuir pessoal na ETE de forma efetiva, os compartimentos que deveriam estar “processando” esgoto estão vazios.

Quando a ETE foi inaugurada, no início de 2018, a promessa era de que a cidade atingiria o porcentual de 100% de esgoto tratado. A reportagem não localizou o valor da obra. A Companhia Ituana de Saneamento não comentou o despejo de esgoto e nem a falta de funcionamento da ETE até o fechamento da edição.

Questionada sobre a situação, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que o caso está sob responsabilidade do corpo técnico do órgão, o qual deverá se manifestar hoje (8).

Absurdo

“É um absurdo que ainda temos esgoto in natura sendo despejados em rios. Isto é proibido por lei estadual, porém infelizmente é muito comum”, comenta André Cordeiro, doutor em Ciências da Engenharia Ambiental e especialista em recursos hídricos.

A reportagem teve acesso a um documento da Fundação Agência da Bacia Hidrográfica dos Rios Sorocaba e Médio Tietê (FABH-SMT). Trata-se do 3° parecer técnico referente à etapa de pré-qualificação da ETE do Pirajibu. Conforme o documento, seria necessária a construção de emissário para lançamento dos esgotos tratados da ETE para o ribeirão Pirajibu, com uma extensão total de 571 metros.

A obra teria valor global superior de R$ 1,2 milhão. Os documentos são posteriores a maio deste ano, demonstrando que a ETE não tinha ou não tem toda a capacidade de operação atingida.

(Com informações do Jornal Cruzeiro do Sul)

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