Na sexta-feira, 31, Milene Thais resolveu usar as redes sociais para desabafar: seu pai faleceu de Covid-19. Na sua dor, citou o prefeito Guilherme Gazzola, dizendo que ao contrário do que ele afirma, a cidade não teria leitos e respiradores de UTI para pacientes de Covid-19, motivo pelo qual seu pai foi transferido e morreu em São Paulo.

O que ela nem ninguém imaginava é que, além da dor da perda do pai, ela enfrentaria uma questão judicial: no mesmo dia o prefeito entrou com um processo contra ela, com tramitação prioritária, pedindo remoção da postagem, direito de resposta e um valor de indenização por danos morais de 50 mil reais.

O advogado destaca que, como ele é pré-candidato à reeleição como prefeito, as afirmações na publicação pode ser “extremamente prejudiciais à sua pessoa, pois inevitavelmente (…) acabam por “manchar” injustamente sua imagem e credibilidade perante o cidadão ituano.” O processo ainda diz que a reputação do prefeito estará para sempre comprometida e que “expõem um renomado administrador”.

Opinião pública

Na tarde de sexta-feira, o processo se tornou público nas redes sociais e gerou ainda mais indignação da parte dos ituanos. Muitos questionaram o método usado por Guilherme Gazzola.

“Caramba! Então a gente não pode mais reclamar da administração municipal, que é paga com os nossos tributos???O prefeito, sendo pessoa pública, deve estar preparado e aberto para ouvir coisas boas e coisas ruins, a seu respeito e à respeito de sua administração. Se as coisas ruins não forem verdadeiras, que ele prove o contrário, mas aí a processar a munícipe por isso???”, comentou uma advogada.

“Reclamar e expor faz parte e deve ser usado até mesmo como um medidor daquilo que está acontecendo, e não levar para o lado pessoal (infantil, por sinal)!”, afirmou um veterinário.

“É o preço que ele dá para sua superestimada imagem pública”, comentou outro internauta. 

Versão

A seguir, veja a versão da defesa do Prefeito do que houve com o senhor Benedito Bento Pereira, que destacamos na íntegra:

“O genitor da Requerida foi admitido na unidade de Pronto Atendimento Municipal (PAM) no dia 15/07/2020, devido a uma queda ocorrida 03 dias antes, ocasião em que relatou que após a referida queda, apresentou falta de ar, tendo ainda relatado caso de covid positivo na família. Após 03 dias, seguindo o protocolo estadual de testagem, o paciente retornou à unidade para testagem PCR para covid, e após agravamento dos sintomas, foi transferido na mesma data (17/07/20), para o Hospital de Campanha de Itu.

A estrutura do Hospital de Campanha, possui 06 leitos de retaguarda de urgência/emergência para estabilização e permanência de pacientes graves. Sr. Benedito possuía como doenças de base, diabetes e obesidade o que levou a uma piora do quadro clinico e com as queixas de dor torácica, o protocolo refere que deve ser encaminhado à uma unidade hospitalar de maior complexidade e estrutura.

Inserimos o paciente na vaga Cross e a regulação Estadual, fez a opção de encaminhamento do paciente para o Hospital Barradas, em São Paulo, com suporte cardiológico para atendimento. A transferência do paciente Sr Benedito foi realizada com ambulância do serviço 192 municipal, com presença de equipe médica completa, conforme relatório anexo. Na data de 29/07/20, o paciente veio a óbito, devido às complicações relacionadas ao Covid (Declaração de óbito anexa)”.

A defesa do prefeito diz que não foi o número de UTI que “interferiu na evolução e desfecho do quadro clínico do paciente.”

O processo pede a exclusão do post, o direito de resposta ao Prefeito, o pagamento das custas e despesas e a indenização em 50 mil reais.

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