Na sexta-feira, 7, todos os técnicos em radiologia (raio-x) da Santa Casa de Itu foram demitidos. Dentre os 14 profissionais, alguns tinham mais de 18 anos de trabalho no local.

Os técnicos dizem que na última semana começaram a surgir novos profissionais no local, para eles treinarem. “A maioria não tinha experiência nenhuma, os que têm trabalham apenas em clínica”, lamentam os demitidos, ressaltando o quanto o setor é importante em época de pandemia de coronavírus, em que, em apenas uma noite, chegam a realizar 40 exames. “90% dos atendimentos são em leito, para verificar os pulmões de infectados por Covid-19 no hospital, no hospital de Campanha, no PA de Campanha, e eles não sabiam fazer isso”, denuncia um profissional, destacando que o treinamento foi de apenas cinco dias pois na sexta-feira todos já foram demitidos.

A Irmandade de Santa Casa de São Bernardo, responsável pela gestão do local, segundo eles, “quarteirizou” o setor: os técnicos agora são da empresa Pro-X, que além de Itu atua em Mairinque.  A Irmandade, segundo o presidente Waldir do Sinsaúde,  havia prometido não demitir ninguém.

No caso dos técnicos em radiologia, o Sindicato responsável é o Sintaresp. O diretor Márcio dos Anjos explica que entrou com pedido, junto ao Ministério Público do Trabalho, contra a Prefeitura de Itu. “Eles são os responsáveis pelo lugar, se eles terceirizaram precisam fiscalizar”.

Ele afirma que a Pro-X é uma empresa em que os próprios técnicos são socio-quotistas e foi criada apenas em dezembro do ano passado. “Esta empresa já possui uma parceria com a Irmandade de São Bernardo em Mairinque, mas na ficha cadastral da empresa só constam 13 técnicos, insuficientes para atender as duas cidades. A sede é na residência de um dos sócios”, conta.

“A lei 7394/85 diz que um profissional só pode trabalhar 24 horas semanais dentro de um mesmo CNJP. Sabemos que apenas na Santa Casa de Itu são necessários, no mínimo 16 profissionais de radiologia, e em Mairinque mais sete. Qual a mágica realizada pela Pro-X, uma empresa que foi formada em 07/12/2020 que não comprova renda para locar equipamentos e que não tem sede própria?”, diz o diretor.  

Ele diz que uma denúncia sobre isso ao Ministério Público do Trabalho. “Precisamos saber a verdade sobre esta demissões, pois para nós está parecendo uma fraude. Que se investigue e se fiscalize”.

O diretor ainda destaca o contrato emergencial com a Irmandade, sem licitação, vai até 4 de outubro. “O contrato é de R$ 22.885.129.55, um valor mensal de R$ 3.814.188.26: esse dinheiro seria suficiente para manter todos esses trabalhadores com carteira assinada”.

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